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Se você comprou um monitor ou uma TV voltados para jogos nos últimos anos, provavelmente já viu os termos VRR, FreeSync ou G-Sync na embalagem ou na ficha técnica. Elas se referem a uma mesma tecnologia, a taxa de atualização variável, que faz a tela acompanhar em tempo real a quantidade de quadros que a placa de vídeo ou o console consegue gerar. O resultado é uma imagem mais fluida, sem os “rasgos” horizontais que o antigo VSync não eliminava sem criar outros incômodos, como pequenos travamentos eventuais e atraso de resposta nos comandos. Saiba o que é VRR, como ele funciona e o que você deve procurar na hora da compra de um novo monitor ou TV com o recurso:
A diferença entre frames por segundo e taxa de atualização

Para entender o VRR, primeiro é preciso separar dois conceitos que costumam se misturar: os quadros por segundo (FPS) e a taxa de atualização.
O FPS (na sigla em inglês, ou Frames Per Second), é uma propriedade do conteúdo de mídia exibido, e se refere basicamente à quantidade de imagens que a placa de vídeo ou o console entrega a cada segundo, ou, de forma mais geral, a quantidade de imagens por segundo que a sua mídia possuir. Enquanto para vídeos esses números são fixos em algum valor determinado, como 30 FPS, ou 60 FPS, em jogos, esse número varia o tempo todo, dependendo da cena, das configurações gráficas e do poder de processamento, porque o computador está gerando tudo em tempo real.
A menos que você limite manualmente de alguma forma uma taxa de quadros máxima, um jogo varia a sua taxa de quadros até o máximo que o hardware permite. Em determinadas cenas pode ser 60 FPS, outras 47 FPS, outras 95 FPS, etc.

Já a taxa de atualização, medida em hertz (Hz), é uma propriedade da sua tela, que diz quantas vezes por segundo a tela redesenha a imagem, ou atualiza a imagem que está sendo exibida. Um monitor de 60 Hz atualiza o painel 60 vezes por segundo. Já um modelo de 144 Hz faz isso 144 vezes. Telas com taxas mais altas exibem movimento com muito mais nitidez, reduzindo a sensação de borrão em cenas rápidas, como em jogos de tiro em primeira pessoa.
Podemos concluir então que para termos a sensação completa de fluidez de um conteúdo em, digamos, 120 FPS, precisamos de uma tela que seja capaz de, no mínimo, atualizar 120 vezes por segundo, ou seja, em 120 Hz. Se um monitor de 60 Hz, por exemplo, tenta exibir o mesmo conteúdo, ele vai conseguir, mas efetivamente o que você estará vendo são 60 FPS, afinal, a cada dois frames do conteúdo de 120 FPS, a sua tela atualiza apenas uma vez, e você vê apenas 60 dos 120 frames desse conteúdo.
Tem como aprofundarmos ainda mais nesse assunto, mas ao menos você já entende o báciso da diferença entre taxa de quadros e taxa de atualização para continuarmos discutindo sobre VRR.
O que é “screen tearing” e como o VSync tenta resolver

Em uma tela com taxa fixa, a imagem é desenhada de cima para baixo a cada ciclo de atualização. Como para jogos muitas vezes a taxa de quadros não é fixa mas sim variável de acordo com o que o hardware consegue entregar, se a placa de vídeo entrega um novo quadro no meio desse processo de atualização, a tela pode mostrar duas imagens diferentes ao mesmo tempo, com uma linha horizontal bem no meio “rasgando” a imagem exibida. Esse é o problema conhecido como screen tearing,.
A solução tradicional para isso é o VSync (ou vertical sync), que trava o FPS da placa de vídeo na taxa de atualização da tela. O recurso elimina o efeito de rasgo, mas cria outros incômodos. Por exemplo, se o FPS cai abaixo da taxa da tela, o display pode repetir quadros ou exibir a mesma imagem duas vezes, resultando em soluços. Isso também faz com que o VSync aumente um pouco o input lag, que é o atraso entre o comando dado no controle ou no teclado e a ação aparecer na tela.
O que é VRR

Já o recurso do VRR (variable refresh rate, ou taxa de atualização variável) busca resolver o mesmo problema que o V-syc, mas revertendo a lógica dele. Em vez de a placa de vídeo se ajustar à tela, é a tela que passa a se ajustar à placa de vídeo. Ela atualiza o painel exatamente no momento em que o próximo quadro está pronto, seja a 50, 90 ou 120 FPS.
Na prática, isso elimina o screen tearing sem o custo de latência do VSync, porque a tela sempre exibe um quadro completo e sincronizado no momento em que ele foi entregue pela GPU.
Um detalhe importante é que cada display tem uma faixa de VRR, ou seja, um intervalo de taxas em que a sincronização funciona. Uma TV comum, por exemplo, costuma trabalhar entre 40 e 120 Hz. Se o FPS cair abaixo do limite inferior, entra em ação o LFC (low framerate compensation), que duplica quadros para manter a sincronização e evitar soluços em cenas pesadas.
Vale registrar, porém, que o VRR não substitui desempenho. Se um jogo roda mal por desacertos da própria engine, com quedas bruscas de quadros, a taxa de atualização variável ajuda a suavizar a exibição, mas não faz o título rodar mais rápido nem conserta esses picos de instabidade. O ganho real está em eliminar o rasgo e o soluço causados por variações comuns de FPS, não em “corrigir” um jogo que já nasceu pesado.
O VRR é o termo que comumente relacionamos à tecnologia em si. No entanto, para sermos mais específicos, podemos chamar de VESA Adaptive-Sync, que é o padrão aberto que define como isso funciona no DisplayPort e no HDMI. A partir desse padrão se apoiam as tecnologias de marcas específicas: o FreeSync, da AMD, e o G-Sync, da NVIDIA. Quando alguém diz que um monitor é “compatível com G-Sync” ou “tem FreeSync”, na maioria dos casos está falando de variações sobre a mesma base aberta.
AMD FreeSync

O FreeSync é a implementação aberta da AMD. Ele foi criado sobre o padrão VESA Adaptive-Sync, que a VESA incorporou ao DisplayPort em maio de 2014, e não exige nenhum hardware extra dentro do monitor, o que o tornou barato e fácil de adotar em qualquer faixa de preço.
Outra vantagem é a compatibilidade. Por usar um padrão aberto, o FreeSync funciona tanto com GPUs da AMD quanto com placas da NVIDIA, neste caso por meio do selo G-Sync Compatible. Um monitor FreeSync não é restrito a uma única marca de placa de vídeo.


O FreeSync tem três níveis de certificação que você pode encontrar em diferentes monitores no mercado.
- FreeSync: é o nível básico, que exige uma tela certificada pela AMD com experiência sem tearing e baixa latência. A AMD não fixa nessa categoria um mínimo universal de frequência, HDR ou LFC obrigatório, pois a faixa de atualização é definida e validada de acordo com cada modelo.
- FreeSync Premium: acrescenta frequência de atualização mínima de 120 Hz em resolução Full HD, além de LFC obrigatório, que duplica quadros quando o FPS cai abaixo do limite inferior da faixa de VRR.
- FreeSync Premium Pro: mantém os requisitos do Premium e adiciona HDR, com certificação mais rigorosa de cor e luminância, além de baixa latência tanto em SDR quanto em HDR.
NVIDIA G-Sync

O G-Sync é a implementação proprietária da NVIDIA, lançada em 2013 e pioneira em monitores. Nos primeiros anos, ele exigia um módulo de hardware dedicado dentro do monitor, com chip e memória próprios que substituíam o controlador de vídeo padrão. Isso garantia a sincronização de 1 Hz até a taxa máxima da tela, além de recursos exclusivos como o variable overdrive para reduzir o rastro de imagem. No entanto a necessidade disso encarecia os monitores com a tecnologia e deixava menos atrativos e acessíveis.
Em agosto de 2024, a NVIDIA anunciou uma mudança relevante: uma parceria com a MediaTek para integrar o G-Sync diretamente nos chips de controle (scaler) dos monitores, eliminando o módulo dedicado.

Isso barateia a produção e mantém os recursos avançados, como a nova tecnologia G-Sync Pulsar, que reduz o borrão de movimento combinado com o VRR. Os primeiros modelos com a novidade foram monitores de 27 polegadas a 360 Hz.
Hoje a NVIDIA organiza o G-Sync em três níveis:
- G-Sync Compatible: certificação sobre monitores Adaptive-Sync, sem o módulo dedicado. É o mais comum hoje e funciona com placas NVIDIA e AMD.
- G-Sync: painel com o módulo da NVIDIA, com validação mais rigorosa e recursos exclusivos.
- G-Sync Ultimate: o nível mais alto, adiciona HDR calibrado e o desempenho mais consistente da linha.
TVs e consoles: o VRR via HDMI

Nos computadores, o VRR dos monitores costuma usar o DisplayPort. Já nas TVs e nos consoles, o caminho é o HDMI, com uma implementação chamada HDMI VRR, parte do padrão HDMI 2.1.
Esse é o motivo pelo qual a tecnologia deixou de ser exclusividade de quem joga no PC. O Xbox Series X e Series S já chegaram ao mercado em 2020 com suporte a VRR, e o PlayStation 5 recebeu a função em abril de 2022, por meio de uma atualização de sistema para telas compatíveis com HDMI 2.1. Em jogos suportados, o resultado é uma imagem mais fluida, com menos soluços e sem rasgos.

Para usar o VRR em uma TV, tanto a tela quanto a fonte precisam suportar o recurso. Conectar um console a uma TV sem VRR volta a usar a taxa fixa.
Como ativar o VRR na sua tela

O VRR não liga sozinho em todos os casos e costuma precisar de um passo em cada lado da conexão. Nas TVs, o recurso costuma vir desligado e precisa ser habilitado no menu da tela, muitas vezes na entrada HDMI em uso, em opções como “VRR” ou “taxa de atualização variável”.
Em algumas telas, essa configuração pode ser automática com o Modo de Jogo, como é o caso da TVs da Samsung. Quando você ativa o Modo de Jogo, se o console ou PC estiver com VRR habilitado, a TV vai identificar automaticamente e ligar o VRR também.
Em outros casos, como é o caso de alguns monitores para dektop, essa opção precisa ser ativada manualmente nas configurações. Também é possível que a configuração apareça com alguma das variações de nome, VRR, ou FreeSync, ou G-Sync ou mesmo Adaptive-Sync, mas todas elas se referem ao mesmo recurso no seu monitor.

Nos consoles e no PC, o caminho muda conforme o sistema. No PlayStation 5, o VRR é gerenciado em Configurações, Tela e vídeo. No Xbox Series X e Series S, o VRR aparece nas opções de TV e monitor quando a tela conectada oferece suporte. Já no PC, o ajuste depende do painel da placa de vídeo, do AMD ou da NVIDIA, além de o monitor precisar ter o Adaptive-Sync habilitado no próprio menu.


Como escolher uma TV ou Monitor com VRR

A primeira dica é não confiar apenas no número da porta HDMI. Desde 2021, o HDMI 2.1 absorveu o padrão 2.0 e tornou todos os recursos opcionais. Na prática, um produto pode ser vendido como “HDMI 2.1” sem trazer VRR, ALLM ou 4K a 120 Hz. O jeito seguro é checar a ficha técnica pelos recursos listados: VRR e ALLM (auto low latency mode, que reduz o atraso ao detectar um jogo) são os mais importantes para quem joga.
Ao escolher um monitor, um painel Adaptive-Sync, FreeSync Premium ou G-Sync Compatible atende bem quase qualquer jogador, e costuma funcionar com placas das duas marcas. O selo mais caro (G-Sync com módulo) só faz diferença se você busca recursos específicos da NVIDIA.
Nas TVs, vale priorizar modelos com VRR listado na ficha e 120 Hz ou 144Hz, que aproveitam melhor os consoles da nova geração e jogos com altas taxas. O HDMI 2.2 até foi lançado em junho de 2025 com até 96 Gbps e pronto para taxas ainda maiores, mas ainda não é comum no varejo e não precisa apressar a compra.
Também vale uma ressalva com painéis OLED. Em alguns modelos, o VRR pode provocar leve variação de brilho ou cintilação em taxas baixas de quadros, um efeito que fabricantes costumam atenuar com atualizações de firmware. Não é um defeito universal nem um motivo para descartar a tecnologia, mas é um ponto a observar se você costuma jogar com FPS baixo em uma TV OLED.
O VRR é a tecnologia que faz a taxa de atualização da tela acompanhar o FPS da fonte, eliminando o rasgo de imagem e os soluços sem o atraso do VSync. Ele nasceu como uma disputa entre as marcas comerciais FreeSync e G-Sync, mas hoje se apoia no padrão aberto da VESA, funciona em monitores e TVs e chegou aos consoles via HDMI 2.1. Na hora de escolher um display, o conselho é olhar os recursos na ficha técnica e priorizar um bom painel, em vez de se prender ao logotipo de uma marca.
Se você quiser saber mais sobre essa tecnologia e até entender melhor e de forma mais técnica os limites do VRR e por que ele não transforma qualquer jogo quebrado em uma experiência completamente fluida, vale assistir ao vídeo da Digital Foundry abaixo:
E você, já usa VRR no seu monitor ou na sua TV? Acha que a diferença foi grande na prática? Diga pra gente nos comentários!
Veja também
Fontes: VESA: Adaptive-Sync no DisplayPort | NVIDIA: introdução do G-SYNC | NVIDIA: G-SYNC Pulsar e MediaTek | HDMI Forum: especificação 2.2 | HDMI.org: o que significa ser HDMI 2.1 | PlayStation Blog: VRR no PS5 | Newegg: G-Sync vs. Free/Sync | TechRadar: o que é VRR
Revisado por Luís Antônio Costa em 21/08/26