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Ciência e Tecnologia

1,7 milhões de crianças morrem anualmente por poluição do ar, da água e do seu celular

Segundo OMS, a poluição já é uma das principais causas de mortalidade infantil no planeta; e o cenário pode piorar com o lixo tecnológico

Não são guerras ou fome as causas mais preocupantes de mortalidade infantil no mundo em 2017. Segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), diversas formas de poluição já são responsáveis por mais de um quarto das mortes de menores que cinco anos de idade. A estimativa é alarmante: em média, 1,7 milhões de meninos e meninas perdem a vida todos os anos por conta de más condições de ar, saneamento e outros problemas de origem ambiental.

Um relatório da OMS divulgado na segunda-feira (6) aponta diarreia, malária e pneumonia como as principais causas de óbito dessas crianças. Normalmente tratáveis, as doenças são agravadas por condições precárias de qualidade da água, por exemplo.

“Ambientes poluídos são mortais, principalmente para crianças. Elas têm órgãos e sistema imune ainda em desenvolvimento, além de corpos e vias aéreas menores. E isso as torna especialmente vulneráveis a água e ar sujos”, comentou Margaret Chan, diretora-geral da OMS em comunicado à imprensa.

361 mil crianças de até cinco anos morrem anualmente de diarreia derivada de falta de saneamento, higiene e água potável. No entanto, o número é bem maior em casos de poluição do ar. Mais de meio milhão (570 mil) perde a vida por conta de infecções respiratórias ligadas à condição precária do ar em locais abertos e fechados. Somando 270 mil bebês que não passam do primeiro mês, a poluição do ar é a maior causa de morte infantil no planeta. Isso sem falar da malária, cujo vetor se aproveita de uma mistura de ar e água de baixa qualidade para se proliferar e matar outras 200 mil crianças por ano.

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1,7 milhões de crianças morrem todos os anos por conta de poluição no mundo

A OMS ainda alerta para os efeitos que a poluição traz para quem sobrevive depois dos cinco anos. Crianças fumantes passivas e expostas à poluição do ar têm alto risco de desenvolver pneumonia e doenças respiratórias crônicas.

O cenário tende a engrossar o protesto de ambientalistas contra o uso de carvão mineral e outras ações de preservação. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer há quatro anos já considera o ar de baixa qualidade como carcinogênico. E o pior: no fim de 2016, dados da OMS indicaram que mais de 90% da população do planeta vive em áreas onde a poluição alcança esse nível de periculosidade. O Brasil acaba ficando no bolo, mesmo não sendo conhecido pela baixa qualidade do ar como a China.

Poluição no Brasil

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Ananindeua, no Pará, é a pior cidade em saneamento básico entre as 100 maiores do país

Em grandes centros urbanos, como os arredores de São Paulo, a qualidade baixa do ar preocupa. No entanto, o maior problema de poluição no Brasil parece estar na falta de saneamento. Nesse caso, bem longe de SP, na região Norte. Um ranking do Instituto Trata Brasil, divulgado no começo de 2017, aponta que, das 100 maiores cidades do país, as cinco com as piores condições de água e esgoto estão na Amazônia.

A pior delas é Ananindeua, na região metropolitana de Belém, no Pará. O município recebeu nota zero na universalização do serviço de saneamento. Foram realizadas menos de 1% das ligações de água da meta de 99 mil unidades. O rendimento péssimo foi parecido nas novas ligações de esgoto. Das quase 118 mil necessárias, foram feitas apenas 2.500.

Descarte de smartphones

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Lixo eletrônico preocupa autoridades e ambientalistas no mundo

O estudo da OMS também gera apreensão por conta do descarte de materiais tecnológicos, com destaque para baterias e outros metais de smartphones. Toxinas provenientes desse tipo de lixo têm potencial de atingir pulmões de crianças, causar câncer e afetar até a inteligência. Em 2018, estima-se que o lixo eletrônico alcance 55 milhões de toneladas. É um aumento de 19% em relação a 2014.

Coletivos ambientalistas como o Greenpeace já pressionam gigantes da tecnologia para que tomem medidas de uso consciente de materiais. Durante a feira MWC, em Barcelona, o grupo protestou enquanto a Samsung fazia o anúncio de três novos tablets. O pedido era para que a sul-coreana reaproveitasse as unidades recolhidas do Galaxy Note 7, celular que foi descontinuado depois de casos de superaquecimento entre agosto e setembro de 2016.

O aparelho chegou a ser banido de voos no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Meses depois do recall, ele ainda parece ser uma pedra no sapato da Samsung. E, ao que parece, também dos governos. Além do saneamento básico e do ar poluído das metrópoles, o lixo eletrônico deverá ser outra preocupação para gestores públicos brasileiros nos próximos anos.

É jornalista e comunicador digital por formação, gosta de tecnologia desde que se entende por gente e escreve sobre isso há bastante tempo. Como um bom nerd, gosta de séries e ficção científica, e tenta relacionar tudo isso com estudos sobre comunicação.

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