Review: Phoenix Wright Ace Attorney Trilogy, elevando a visual novel para um novo patamar

Review: Phoenix Wright Ace Attorney Trilogy, elevando a visual novel para um novo patamar 6
Phoenix Wright: Ace Attorney está de volta, mas agora, pela primeira vez nos consoles e no PC com visual totalmente repaginado

Durante anos, Phoenix Wright conheceu apenas uma casa: os consoles portáteis da Nintendo. Mas finalmente, após uma longa espera, Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy é lançado para PS4 e PC, fazendo com que essa franquia veja pela primeira vez a luz do dia nos consoles e também nos computadores.

Responsável pela franquia, a Capcom já é a empresa do ano durante esse primeiro trimestre de 2019, com Resident Evil 2 Remake, Devil May Cry 5 e agora finalmente com o tão renomado Phoenix Wright: Ace Attorney.

A Capcom forneceu uma cópia para análise do novo port da trilogia de Phoenix Wright: Ace Attorney e agora você confere todos os pontos positivos e negativos do game.

Respeite seu passado, aceite seu futuro

Foto mostra a capa do Phoenix Wright: Ace Attorney, lançado pra Nintendo DS
Capa do primeiro Phoenix Wright, lançado para Nintendo DS em 2001

Fazendo sua primeira aparição no Nintendo DS em 11 de Outubro de 2001, Phoenix Wright: Ace Attorney fez um marco na história de visual novels (novelas visuais, com a história contada em apenas diálogos). Conseguindo se destacar perante a tantos do mesmo gênero, o game sempre conseguiu cativar a todos que o jogavam.

Não só fazendo um enorme sucesso no Japão, mas também no ocidente, Phoenix Wright: Ace Attorney não iria parar por aí, ganhando nada menos que mais de 10 títulos nomeados de Ace Attorney. Sendo eles continuações diretas, spin-offs (histórias paralelas no mesmo universo), colaborações e até mesmo animes e filmes,Phoenix Wright: Ace Attorney, em 9 de Abril deste ano de 2019, finalmente é trazido para os consoles, e está melhor do que nunca.

Objection!!! Essa festa virou um enterro!

Foto mostra Phoenix Wright, protagonista do game.
Phoenix Wright, afrontando e apontando onde a
testemunha está errada!

No jogo você controla Phoenix Wright, um calouro no mundo da advocacia, sem experiência nenhuma nas cortes do tribunal, mas que, de repente, fica sabendo de um assassinato envolvendo seu melhor amigo. É aí que o jogo começa.

Ace Attorney tem sua gameplay resumida puramente em diálogos. São, obviamente, textos extensos para se ler e é esse um dos pontos que afasta boa parte do público dele, já que o game não tem localização em outras línguas. Apenas o inglês e o japonês.

Porém, pontos negativos como esse não diminuem o quão bom esse jogo é, seja pela sua história, sua gameplay divertida, seus trials (julgamentos do tribunal) ou sua trilha sonora fenomenal. E não apenas ele, mas sua franquia como um todo.

Take That!!!! Um port, mas a qualidade continua a mesma?

Foto mostra Miles Edgeworth, o promotor mais popular em Phoenix Wright.
Miles Edgeworth, um dos promotores mais populares
se não, o mais popular de Phoenix Wright

Uma trilogia da franquia já foi lançada para o Nintendo 3DS em 17 de abril de 2014, onde contava com um compilado das 3 sequências do game em um só jogo. Fortemente aclamada e fazendo um sucesso absoluto, fãs se preocuparam com o novo port (portabilidade de uma plataforma para outra) de Phoenix Wright: Ace Attorney para o PS4 e PC. Usando argumentos de que a história ou sua gameplay divertida seriam comprometidos, junto de sua interface que é voltada para uma tela menor, já que o game se baseia puramente em diálogos. Mas esse, felizmente, não é o caso.

É claro que o novo port teve que remover algumas funções, como a de usar o microfone do Nintendo DS e 3DS para gritar Objection! ou o famoso Take That!, e também a opção de utilizar o touch para selecionar evidências, apresentar perfis e até opções de resposta durante os diálogos.

Mas nenhuma dessas funções removidas fazem com que o jogo perca sua qualidade impecável presente não só em um game mas também como todos os outros presentes na trilogia.

Hold It!!!! Mais divertido do que nunca

Foto mostra Franziska Von Karma, uma das promotoras cruéis presente em Phoenix Wright
Franziska Von Karma, a promotora
mais cruel presente em Phoenix Wright com seu chicote

Ace Attorney é mais conhecido principalmente pela sua história, mas nada impede que algo sério seja tratado com um bastante humor, certo? Neste novo port da sua trilogia, Phoenix Wright: Ace Attorney consegue exaltar e oferecer o máximo de divertimento e situações engraçadas do que qualquer outro.

Sua história cativante te prende e mantém na ponta da cadeira o tempo todo. Mesmo ao desligar seu console você continua pensando naquele trial ainda não resolvido, naquele desfecho inacabado e esse é um dos pontos fortes Ace Attorney.

Você tem a liberdade de salvar em qualquer momento da história, seja para fazer uma decisão, apresentar uma evidência ou até mesmo para parar de jogar e retomar do ponto onde você deixou, mas a questão é: você não consegue parar de jogar!

Take that! Uma das frases icônicas de Phoenix Wright.
Take that! Uma das frases icônicas de Phoenix Wright

É sério! Você nunca vai jogar algo como Ace Attorney, pelo menos não no quesito de visual novel. Onde mesmo depois de resolver um case ou terminar algum trial, você já quer pular para o próximo, com o coração acelerado, um sorriso no rosto ou até mesmo uma tensão no ar, imaginando qual será os acontecimentos do próximo caso.

Foto mostra uma das mecânicas presentes em Phoenix Wright, achar digitais nos locais do crime.
Uma das mecânicas presentes no 5 episódio
de Phoenix Wright: Ace Attorney,
achar digitais escondidas

Phoenix Wright: Ace Attorney consegue equilibrar com perfeição uma história que fácilmente prende qualquer um, seja os com pouco convívio com visual novels até os com a mais alta aptidão no gênero.

Com uma gameplay envolvente, onde você estuda e visita vários locais durante o game procurando por pistas, observando objetos, falando com testemunhas, fazendo anotações mentais ou até prestando atenção em detalhes essenciais para apresentar durante o julgamento.

Uma grande variedade de testemunhas excêntricas para questionar, defender e até julgar, também estão presentes no games. Indo de um ator que se veste de Samurai num programa para crianças até questionar um Papagaio durante um julgamento, sendo este um dos momentos mais icônicos (e engraçados) do jogo todo.

Nickel Samurai, uma das sátiras presentes durante Phoenix Wright.
Nickel Samurai, uma das sátiras presentes em Phoenix Wright

Essa e outras razões fazem com que Ace Attorney não seja enjoativo e muito menos repetitivo. Ele se torna facilmente querido no coração da pessoa que o joga, e esse port exalta exatamente isso. Um jogo de qualidade merece uma portabilidade de qualidade, e ambos casam bem nessa trilogia.

Esse port traz com extrema qualidade e carinho as texturas e os modelos dos personagens, seja durante os julgamentos ou expressões dos mesmo durante os diálogos. Por mais que o port perca a crocância do Nintendo DS, ele refaz e remasteriza com bastante paixão para o jogador.

Um agrado não só visual, mas também auditivo

A capa de dois álbuns de Phoenix Wright, um de piano e o outro de Jazz.
A capa de dois álbuns de Phoenix Wright, um de piano e o outro de Jazz.

Uma coisa que não podemos deixar de falar, claro, é o quão bem trabalhado é o áudio nesse port. Se você já jogou algum game da franquia em uma versão portátil, sabe o quão problemático às vezes era seu áudio, apresentando problemas frequentes como chiados e em algumas vezes uma sensação de “quebradiço”.

Obviamente isso não era culpa exatamente do jogo, mas sim o preço que infelizmente é pago por um console que você pode levar pra qualquer lugar. Mas felizmente, esse preço não é pago para os que optaram por esse port de Ace Attorney.

A trilha sonora exalta com precisão todos os efeitos sonoros presentes no jogo, e não só isso, mas com alguns temas apresentados durante o game, sendo eles o tema de Damon Gant, Steel Samurai e até mesmo a sonata de Bach tocada no início de Justice for All.

Foto mostra o chefe de polícia de Phoenix Wright, Gant.
Gant, o chefe de polícia em Phoenix Wright

Uma coisa que fica obviamente clara para o jogador inicialmente é que o game não possui dublagem, isso se você tirar o que Phoenix ou algum outro prosecutor (promotor) grita durante o julgamento. Mas assim como nosso querido The Legend of Zelda, a dublagem é substituída por um trilha sonora maravilhosa e definitivamente inesquecível, que após ser ouvida apenas uma vez, gruda na sua cabeça como chiclete em um sapato!

Uma das provas disso é sua Orquestra que ainda faz bastante sucesso no Japão, lotando teatros para apresentar não só a tão amada trilha sonora mas também para fazer musical de alguns casos presentes no jogo, com a trilha orquestrada de fundo, é claro.

Foto mostra duas mulheres com cosplay de personagens de Phoenix Wright durante o musical, um é o culprit, o culpado, e o outro é o Miles Edgeworth
Musical de Phoenix Wright bastante famoso no Japão.

O novo port de Phoenix Wright: Ace Attorney faz com perfeição algo que poucos jogos conseguem, mantendo a essência de um jogo que envelheceu muito bem para novos ouvidos e até para os que já ouviram sua trilha sonora. Ela é um agrado para qualquer um que ousa se aventurar nesse mundo de Ace Attorney.

Seguindo a receita, até mesmo nos erros

Foto mostrando Godot, um dos promotores de Phoenix Wright enquanto ele bebe café.
O promotor Godot e suas charadas

Como já foi falado várias vezes durante essa review, o game é impecável em trazer todos os elementos de ports e jogos anteriores da franquia com uma nova repaginada, mas ao seguir essa receita de bolo, ele também carrega seus erros consigo.

São poucos, porém, eles estão presentes. Pela falta de uma gameplay em si no game, ele não possui bugs. Mas muitas vezes alguns diálogos que não fazem tanto sentido poderiam ser facilmente descartados e retirados da versão final de seu port.

Foto mostra Phoenix Wright, protagonista do jogo pressionando a testemunha.
Phoenix Wright pressionando a testemunha

É claro que enquanto você examina um testemunha, ela vai falar coisas a mais para distrair você da contradição, seja palavras aleatórias, gestos e até conversa fiada. Mas em alguns casos, ela aponta claramente uma contradição, mas você não consegue apontá-la, mesmo tendo provas pra isso.

Infelizmente o jogo acaba sendo linear de uma certa maneira, onde você deve apresentar evidências e apontar contradições somente onde o jogo quer e não onde você ver uma. Isso é um ponto bem negativo, mas isso não faz a história ser menos interessante, já que você acaba tendo que achar a contradição certa a ser apontada. Adicionando assim, uma certa dificuldade extra para o game.

Essencial para quem quer uma diversão sem parar

Foto mostra os personagens de Phoenix Wright na capa do jogo
A verdade sempre vem a tona em Phoenix Wright

Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy funciona para aqueles que não querem parar de se divertir sem precisar ir para outro game. Essa franquia é uma das mais renomadas no ambiente dos portáteis e seu novo port está aqui para mostrar exatamente isso.

Personagens cativantes, um enredo carregado de reviravoltas, intrigas, divertimento e muita emoção. Contando com uma trilha sonora maravilhosa que merece ser ouvida por todos.

Mesmo tendo alguns pontos negativos em sua história e gameplay como já foi ressaltado, Phoenix Wright: Ace Attorney merece ser jogado por todos, e seu port é a versão definitiva para qualquer jogador que queira adentrar nesse mundo.

Facilmente se tornando um dos melhores, se não o melhor no gênero de visual novels, Ace Attorney é um marco na história dos jogos e será para sempre lembrado assim.

Toda a turma de Phoenix Wright: Ace Attorney reunida
Toda a turma de Phoenix Wright: Ace Attorney reunida

Vale lembrar que sua trilogia contém não apenas um, mas obviamente três jogos de sua franquia em sequência. Sendo eles, Phoenix Wright: Ace Attorney, Phoenix Wright: Justice for All e Phoenix Wright: Trials and Tribulations.

1 Comentário

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  • Adorei a review, Wash!
    Nunca joguei nada da série, mas sempre ouvi falar muito bem. Seu texto só me deixou com mais vontade de dar uma chance!
    Sou grande fã de Ghost Trick, jogo do mesmo diretor de Ace Attorney. Os jogos possuem elementos muito parecidos, apesar de serem histórias totalmente diferentes, mas acho que você também iria gostar muito.
    E acho muito legal como os japoneses fazem peças de teatro e outros eventos especiais para os jogos mais populares. Deve ser uma experiência única ir a um desses musicais!
    Parabéns pelo texto. <3