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Ciência e Tecnologia

Medo da Skynet? Entenda o que os cientistas mais temem sobre a Inteligência Artificial

O que os cientistas temem em relação a Inteligência Artificial? Saiba o que o Future of Life Institute quer com a carta aberta divulgada no início do ano

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Se você gosta de ficção científica certamente já deve ter ouvido falar em singularidade. O termo foi cunhado na década de 1950 pelo matemático John von Neumann e em linhas (bastante) gerais descreve o inevitável ponto no futuro em que a tecnologia superaria a humanidade, se tornando independente e capaz de se aperfeiçoar e se reproduzir sem a ajuda humana. Seria o momento em que o homem passaria a ser inferior (no sentido da dominação) às máquinas.

O cinema já explorou muito bem essa questão em cenários nada animadores para os seres humanos como nas terríveis colmeias de baterias humanas em Matrix, ou na opressora e assassina Skynet da saga Exterminador do Futuro, entre tantos outros que abordaram essa questão. Num mundo cada vez mais dependente da tecnologia, a preocupação com o futuro passar a ser compartilhada também por cientistas e especialistas em tecnologia.

No dia 11 de janeiro de 2015, uma carta aberta assinada por mais de 700 cientistas de todo o mundo expressou as precauções da comunidade científica acerca do desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) e pedia que os avanços em matéria de inteligência artificial servissem para beneficiar a humanidade. O texto foi publicado pela organização norte-americana Future of Life Institute (FLI), entidade sem fins lucrativos que tem entre seus membros nomes como Stephen Hawking, Elon Musk e até o ator Morgan Freeman.

Musk fez pessoalmente uma doação de 10 milhões de dólares e durante uma palestra para estudantes no Massachusetts Institute of Technology (MIT), comentou sobre a questão: “Acho que nós devemos ter muito cuidado a respeito da inteligência artificial. Se eu tivesse que palpitar sobre qual é a principal ameaça a nossa existência, acho que seria essa. Precisamos ser cuidadosos“, afirmou. “Estou cada vez mais inclinado a achar que deveria haver alguma espécie de regulação, talvez em nível nacional e internacional, apenas para ter certeza que nós não faremos algo muito estúpido“, completou.

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Pintura de Isaac Asimov feita pela ilustradora Rowena Morrill. Asimov é considerado um dos mestres da Ficção Científica, principalmente pela chamada “Leis da Robótica”.

Provavelmente movidos por tais declarações, diversos veículos de imprensa passaram a ressaltar o viés mais sensacionalista da história e a versão que mais se difundiu, passaram a tratar a carta aberta como sendo um alerta para o risco de a humanidade ser destruída pela inteligência artificial, no melhor estilo Isaac Asimov. No entanto, o documento pouco tem a ver com robôs assassinos, e se preocupa muito mais com a pobreza e a desigualdade que a Inteligência Artificial pode acarretar.

Segundo um estudo realizado pela Universidade de Oxford, 47% dos empregos nos EUA estão em risco de desaparecimento nas próximas duas décadas. A lista das atividades é grande. Inclui de atendentes de telemarketing a recepcionistas de hotel, passando por motoristas de caminhão e operadores de máquinas. Nas palavras de um dos pesquisadores (e por quê não, de Marx): “Os trabalhos que sobrarem serão baseados em habilidades criativas e sociais“, afirmou Michael Osborne, professor no curso de Engenharia da Computação da universidade americana.

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Distante das falsas polêmicas, o assunto realmente pode dar origem a muitas questões: a começar pelo campo da educação. Boa parte do sistema educacional ainda se concentra no ensino de habilidades que podem ser desempenhadas de forma mais eficiente por máquinas. O desafio da escola é justamente o de também incorporar o desenvolvimento de habilidades que não podem ser desempenhadas por máquinas, como nossa capacidade criativa, intuição e sociabilidade.

Outro desafio que deve ser considerado é de que, na nossa sociedade, o trabalho não tem apenas uma função mecânica, mas é um elemento fundamental na definição dos papéis sociais. Neste sentido, a perda do ofício também significaria a desintegração daquilo que define as pessoas no mundo. Também não parece crível pensar que em um ambiente em que indivíduos estejam livres das funções mecânicas, todos se tornariam poetas ou pintores.

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Desde a Idade Moderna, o homem sempre manteve grandes esperanças em que a ciência seria um elemento chave na solução dos seus problemas. Esse processo é interrompido na pós-modernidade, quando se verifica que a tecnologia, não solucionou todos os problemas na vida dos homens e ainda acrescentou uma série questões à existência cotidiana.

O debate sobre a Inteligência Artificial talvez seja um dos mais relevantes temas a se discutir hoje em dia, especialmente por ter sido suscitado por cientistas e especialistas em tecnologia. Muito mais do que um cenário apocalíptico, o intuito é pensar e criar uma sociedade em que a mecânica possa tornar as próprias pessoas menos mecanizadas.

Você que é fã de tecnologia, também gosta de Sci-Fi? O medo da Inteligência Artificial deve ir além das questões práticas? Deixe sua opinião!

Jornalista, fã de cinema e curioso de todas as coisas. Sempre atento às informações, escreve sobre ciência, comportamento e as novidades do mundo tecnológico.

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