Cerimônia de anúncio do campus campinas reúne executivos e autoridades diante do logotipo da terranova

Campinas terá data center de IA com investimento de R$ 5 bilhões

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Data center de IA em Campinas terá 216 MW na primeira fase, resfriamento líquido e investimento que pode chegar a R$ 20 bilhões até 2029.

Campinas receberá um centro de dados de inteligência artificial (data center de IA) com investimento inicial estimado em R$ 5 bilhões. Batizado de Campus Campinas, o complexo da Terranova será construído no Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável (PIDS), em Barão Geraldo. O projeto prevê 216 MW de capacidade dedicada à tecnologia da informação na primeira fase e pode movimentar até R$ 20 bilhões em etapas futuras.

Campus Campinas terá 216 MW na primeira fase

Cerimônia de anúncio do campus campinas reúne executivos e autoridades diante do logotipo da terranova
Cerimônia marcou a entrega do alvará para o início das obras do Campus Campinas. Imagem: Rogério Capela/Prefeitura de Campinas

O anúncio foi feito em 20 de agosto durante uma cerimônia na Fazenda Pau D’Alho. Na ocasião, a Prefeitura entregou o alvará que autoriza o início das obras. A Terranova foi a primeira empresa a receber incentivo fiscal para se instalar no PIDS, área criada para aproximar empresas, universidades e centros de pesquisa.

O campus ocupará aproximadamente 944 mil m², dos quais 115 mil m² serão construídos. A primeira etapa terá 216 MW de capacidade de TI, medida que representa a potência disponível para servidores e demais equipamentos computacionais. Áreas reservadas para expansão poderão elevar esse volume para 386 MW.

Separadamente, a subestação elétrica do empreendimento terá capacidade inicial de 300 MW e poderá chegar a 1 GW. Esses números não significam que toda a capacidade será usada desde a inauguração: a implantação ocorrerá em fases, de acordo com o avanço das obras e da demanda dos clientes.

A estrutura foi planejada para atender provedores de nuvem em hiperescala (hyperscalers) e cargas de computação de alto desempenho. Esse tipo de instalação concentra aceleradores, processadores e redes de alta velocidade necessários para treinar e executar modelos de IA. O Showmetech já explicou por que modelos de inteligência artificial consomem tanta energia e mostrou como novos processadores são desenvolvidos para data centers de IA.

Resfriamento líquido deve reduzir uso de água

Mauricio giusti fala ao microfone durante o anúncio do data center da terranova em campinas
Mauricio Giusti, diretor-geral da Actis e CEO interino da Terranova, apresentou o projeto. Imagem: Band/Reprodução

Uma das promessas ambientais do projeto é o uso de resfriamento líquido em circuito fechado (closed-loop liquid cooling). A técnica transporta o calor dos equipamentos por meio de um fluido que circula no sistema e é reutilizado, reduzindo a necessidade de reposição contínua de água quando comparada a métodos evaporativos.

A empresa, porém, ainda não divulgou indicadores como eficiência no uso de energia (PUE), consumo anual estimado, origem da eletricidade ou volume de água previsto para a operação. Por isso, a redução anunciada deve ser entendida como uma característica do projeto, e não como comprovação de impacto ambiental neutro.

Dos 944 mil m² do terreno, cerca de 285 mil m² serão preservados como áreas verdes ou destinados ao município. O planejamento também inclui vias públicas e sistemas de tratamento de água e esgoto. Esses componentes são relevantes porque um campus desse porte exige infraestrutura urbana e elétrica muito além dos prédios que abrigam os servidores.

Investimento pode chegar a R$ 20 bilhões

Mauricio giusti durante entrevista sobre o campus campinas no evento de anúncio
Mauricio Giusti, CEO interino da Terranova, durante entrevista no evento de anúncio do Campus Campinas. Imagem: reprodução/Band

O valor de R$ 5 bilhões corresponde ao investimento inicial. Segundo as informações apresentadas no anúncio, o total poderá alcançar R$ 20 bilhões nas futuras fases de implantação. A expansão está prevista até 2029, mas o cronograma detalhado de entrada em operação de cada etapa ainda não foi informado.

A estimativa é de aproximadamente 3,6 mil empregos diretos e indiretos ao longo do projeto. A Terranova também prevê parcerias com universidades, centros de pesquisa e instituições de capacitação para formar profissionais especializados. Campinas já reúne empresas de tecnologia, universidades e conexão com os principais mercados do estado de São Paulo, fatores que ajudam a explicar a escolha da cidade.

O projeto chega em um momento de expansão da infraestrutura necessária para IA no Brasil. Empresas do setor têm buscado energia disponível, conectividade e proximidade com grandes centros consumidores para criar novas “fábricas de IA” (AI factories). A tendência também aparece em iniciativas internacionais, como as AI Factories anunciadas pela NVIDIA com fabricantes de computadores.

Para Campinas, o impacto potencial vai além da construção do complexo: fornecedores, serviços especializados e cursos de formação podem crescer no entorno. A dimensão efetiva desse efeito, entretanto, dependerá da execução das próximas fases e da confirmação dos clientes que utilizarão o campus.

Você acredita que novos data centers de IA podem transformar Campinas em um polo ainda maior de tecnologia? Conte nos comentários.

Fontes: Prefeitura de Campinas, Campinas.com.br e Band.

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