Corredor de um centro de supercomputação com racks e sistema de refrigeração

Brasil terá supercomputador de R$ 1 bi e nuvem soberana para IA

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Máquina de 7.200 petaflops será instalada em Macaíba e atenderá universidades, empresas e governos no desenvolvimento de inteligência artificial.

O Rio Grande do Norte foi escolhido para receber um novo supercomputador brasileiro voltado à inteligência artificial. A máquina será instalada no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Macaíba, na Grande Natal, e terá investimento público de pouco mais de R$ 1 bilhão.

Com capacidade anunciada de 7.200 petaflops, o sistema deverá atender universidades, empresas, instituições científicas e órgãos governamentais no treinamento de modelos e no desenvolvimento de aplicações de IA. O projeto integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e pretende reduzir a dependência do país de infraestrutura computacional estrangeira.

Presidente lula e autoridades apresentam documento durante anúncio do supercomputador no rio grande do norte
Anúncio do novo supercomputador reuniu autoridades em Natal (RN). Foto: Fernanda Zauli/g1

Supercomputador será instalado em Macaíba (RN)

O equipamento ficará no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, que reúne universidades, empresas e centros de pesquisa na região metropolitana de Natal. A execução do projeto ficará sob responsabilidade do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), instituição federal que também opera o Santos Dumont, atualmente o maior supercomputador acadêmico do país.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) informou que o edital de concorrência para a compra da máquina será publicado no Diário Oficial da União. O projeto prevê R$ 1,06 bilhão: R$ 960 milhões para a aquisição do equipamento e R$ 100 milhões para preparação e operação da estrutura. Os recursos virão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), pelo CT-Infra. A licitação deverá exigir transferência de tecnologia, capacitação, pesquisa e desenvolvimento, conteúdo local e participação de fornecedores brasileiros.

Segundo a ministra Luciana Santos, a meta inclui capacitar 5 mil brasileiros em cinco anos. Ela também afirmou que 60% do processamento associado à inteligência brasileira ocorre fora do país. Ao manter parte maior dessas cargas em território nacional, o governo espera ampliar a soberania sobre dados, modelos e tecnologias estratégicas.

A escolha do Rio Grande do Norte considera a disponibilidade de energia renovável, especialmente eólica, e a intenção de reduzir desigualdades regionais na infraestrutura tecnológica. O anúncio ocorre enquanto o Brasil amplia acordos de cooperação, como a parceria digital entre União Europeia e Brasil para IA, dados e conectividade.

Fileiras de racks do supercomputador summit em centro de pesquisa dos estados unidos
O Summit, dos Estados Unidos, ilustra a escala física de uma instalação de supercomputação; ele não é o equipamento que será comprado pelo Brasil. Foto: Oak Ridge National Laboratory via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O que significam 7.200 petaflops?

A capacidade anunciada é de 7.200 petaflops em FP16, formato numérico de 16 bits muito usado no treinamento e na inferência de modelos de IA. Isso corresponde, em teoria, a até 7,2 quintilhões de operações por segundo. A configuração prevista terá mais de 50 mil núcleos de processamento e consumo elétrico estimado em 4 megawatts.

Essa comparação, porém, exige cautela. O ranking TOP500 usa o benchmark HPL em dupla precisão (FP64), enquanto os 7.200 petaflops anunciados para o sistema brasileiro são em FP16. Assim, a afirmação oficial de que o novo equipamento poderá ficar entre os dez mais potentes do mundo só poderá ser confirmada depois que a configuração final for instalada e submetida a testes comparáveis. Você pode conferir como funciona a classificação na lista dos supercomputadores mais poderosos do mundo.

Independentemente da colocação em rankings, a escala anunciada amplia de forma relevante a capacidade de treinamento e inferência de modelos no Brasil. O sistema também poderá trabalhar com novas arquiteturas de computação de alto desempenho, área em que plataformas como a NVIDIA CUDA-Q integram supercomputação e pesquisa quântica.

Equipe de pesquisadores analisa visualizações científicas em um centro de computação avançada
Infraestrutura de alto desempenho poderá apoiar pesquisas em clima, saúde, agricultura, energia e outras áreas. Imagem ilustrativa gerada por IA: Showmetech

Para que o supercomputador brasileiro será usado?

A capacidade ficará disponível para empresas, universidades, instituições científicas e governos. Entre os usos esperados estão o treinamento de modelos de linguagem em português, simulações climáticas, descoberta de medicamentos, análise de grandes bancos de dados, agricultura de precisão, energia, cibersegurança e criação de produtos e serviços baseados em IA.

O projeto também pode diminuir custos para grupos brasileiros que hoje precisam contratar computação em nuvens estrangeiras ou disputar tempo em instalações menores. A existência de uma infraestrutura pública não garante acesso irrestrito: políticas de priorização, preços, segurança e distribuição de capacidade ainda dependerão do edital e das regras de operação do LNCC.

O supercomputador faz parte de uma estratégia mais ampla do PBIA. O governo também anunciou iniciativas para desenvolver chips com arquitetura aberta RISC-V, criar uma infraestrutura nacional de nuvem e estabelecer cooperação de supercomputação no Rio de Janeiro com as chinesas Huawei e iFlytek. Essa última frente prevê um grande modelo de linguagem nacional e modelos de IA em português, com investimento público estimado em R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos.

A compra ainda depende da publicação e conclusão da licitação. Até que o edital detalhe fornecedores, aceleradores, cronograma e critérios de desempenho, os 7.200 petaflops devem ser tratados como uma capacidade projetada — e não como resultado já medido.

O que você espera que universidades e centros de pesquisa desenvolvam com uma máquina desse porte? Conte nos comentários.

Fontes: CartaCapital, g1 RN e UFRN.

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