Crítica: elvis entrega a paixão de baz luhrmann pelo rei do rock

CRÍTICA: Elvis entrega a paixão de Baz Luhrmann pelo Rei do Rock

Avatar de fernando gomes
Com exageros, diretor constrói espetáculo em formato de filme para fazer uma ode ao acontecimento Elvis Presley. Leia a crítica

Filmes biográficos, ou cinebiografias, se tornaram a febre do momento. Na verdade, eles existem já há um tempo e costumam comover bastante as pessoas, seja qual for a figura principal retratada. Mas, quando um certo longa chamado Bohemian Rhapsody e seu ator principal Rami Malek levou o Oscar, uma grande oportunidade teve sua porta aberta: a possibilidade de explorar nomes icônicos da história com mais frequência.

Só de 2018 pra cá, já tivemos representações, por exemplo, de Elton John, Tammy Faye e Elvis Presley. Este último nas mãos de Baz Luhrmann, cineasta prestigiado com alguns dos filmes mais memoráveis do cinema (Romeu + Julieta, Moulin Rouge – Amor em Vermelho, O Grande Gatsby. Elvis é a sua aposta desde a série The Get Down, cancelada pela Netflix, e traz Austin Butler no papel do rockstar. Com algumas indicações no Oscar, o filme convida todos a uma visita na loucura que foi o acontecimento do astro, passando pelo fervor do sucesso até a queda da carreira. Sempre com um olhar de admiração sobre o artista.

“O Rei”

Crítica: elvis entrega a paixão de baz luhrmann pelo rei do rock
Vida de Presley é retratada por Baz Luhrmann em longa indicado ao Oscar. (Imagem: Warner Bros./Divulgação)

Elvis passa pelos anos joviais do cantor, na década de 40, até os seus shows na residência em Las Vegas, nos anos 70. No entanto, o filme foca bastante na relação amigável e, depois, conturbada de Elvis Presley (Austin Butler) com o Coronel Tom Parker (Tom Hanks), seu empresário. A pessoa que o havia descoberto seria a mesma a trair sua confiança.

A todo momento, Baz quer contar uma história fiel, mas que enalteça a figura de Elvis Presley. Como ele era um ponto fora da curva para os artistas da época e como sua peculiaridade e presença de palco conquistou milhares de fãs. Elvis era visto como um sex simbol pelo seu público, grande parte feminino, e também como perverso pela parcela que abominava atitudes não tradicionais para a época. O simples fato de seus rebolados em números musicais fez com que conservadores levantassem suas vozes para protestar contra o cantor.

Crítica: elvis entrega a paixão de baz luhrmann pelo rei do rock
Apresentações do astro sempre foram exageradas e polêmicas. (Imagem: Warner Bros./Divulgação)

O longa mostra que, apesar dos diversos momentos complicados em sua vida, Elvis era uma pessoa boa e com boas intenções. Claro que, ainda hoje, é muito discutido a forma como o artista homenageou a música tocada pela comunidade negra da época — ou se apropriou dela. O longa faz aqui um trabalho extenso de limpeza de imagem quanto a isso, mostrando que Elvis admirava ícones como Sister Rosetta, Arthur “Big Boy” e Little Richard. O tratamento escolhido pelo filme convence, mas a polêmica ainda existe.

Da infância humilde ao estrelato, Elvis passa ainda pelo casório com Priscilla Presley e o nascimento de sua filha Lisa Marie Presley, que tragicamente faleceu em janeiro deste ano. Mas, com frequência, o personagem de Tom Hanks paira como um predador, aproveitando do carisma e do impacto do artista para extrair o máximo de dinheiro possível. As consequências escalam até onde ele aguenta.

Entrega total

Crítica: elvis entrega a paixão de baz luhrmann pelo rei do rock
Trama do filme se desenrola com a relação de Elvis com seu empresário, Coronel Tom Parker, que o descobriu. (Imagem: Warner Bros./Divulgação)

Lançado no Brasil no ano passado, uma parte do público adorou Elvis e achou o filme muito cativante, enquanto outra não se conectou muito com a trama. No entanto, algo em comum nos dois lados são os elogios a Austin Butler. É visível que o ator entregou seu máximo ao personagem. Para além de imitar seus trejeitos e voz, Austin entendeu e deixou que Elvis vivesse em tela. É uma das atuações marcantes de 2022.

Tom Hanks tenta fazer o possível, apesar de tender ao caricato demais. O elenco, que consegue sustentar os vários altos e baixos dessa longa história, conta ainda com Olivia DeJonge, Dacre Montgomery e Luke Bracey.

Crítica: elvis entrega a paixão de baz luhrmann pelo rei do rock
Priscilla Presley foi esposa de Elvis por seis anos. (Imagem: Warner Bros./Divulgação)

Além das interpretações, o longa também consegue entregar boa técnica. Diferente da terrível edição de Bohemian Rhapsody, a montagem, que aqui está mais coesa e organizada, faz mais sentido. O som também é um aspecto interessante. Trilha sonora casa tanto com as cenas mais agitadas quanto nas dramáticas. O uso de música ao vivo, do amplo catálogo do “Rei do Rock ‘N Roll”, foi certeiro. O único ponto fora da curva nesse quesito é a inserção da canção de divulgação do filme — Vegas, de Doja Cat — em um momento muito aleatório. Bastasse colocá-la nos créditos.

Vale a pena assistir a Elvis?

Se você adora cinebiografias, esta aqui se faz necessária a visita por ser bem produzida, bem estruturada e conter ótimas interpretações. A leitura de Baz, mesmo muito tendenciosa, transparece a vitalidade que esse gênero deve trazer para o público. Mesmo que não seja sua praia, veja para conhecer o indicado e preencher sua lista do Oscar. Fora do grande circuito dos cinemas, ‘Elvis’ está disponível na HBO Max.

Quais as chances no Oscar 2023?

Crítica: elvis entrega a paixão de baz luhrmann pelo rei do rock
Austin é forte candidato ao Oscar de Melhor Ator neste ano. (Imagem: Warner Bros./Divulgação)

O filme está indicado a oito categorias do Oscar, que são: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Fotografia, Melhor Design de Produção, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Penteados, Melhor Edição e Melhor Som.

Das categorias técnicas, Som, Edição e Fotografia são descartados. Há chance de vitória em Maquiagem e Penteados e Figurino, apesar da grande concorrência. Melhor Filme é muito improvável, existem concorrentes mais adiante nessa corrida. A grande chance do longa, porém, está em Melhor Ator. Austin concorre diretamente contra Brendan Fraser em A Baleia. O cenário está dividido, assim como em Melhor Atriz. A resposta definitiva só teremos no domingo, 12 de março.

E você, está torcendo pelo filme? Conte para nós nos comentários.

Veja também:

Acesse também outros conteúdos relacionados no Showmetech. Leia a nossa crítica de TÁR, com Cate Blanchett, um dos destaques do Oscar deste ano.

Revisado por Glauco Vital em 8 de março de 2023.

CRÍTICA: Elvis entrega a paixão de Baz Luhrmann pelo Rei do Rock

CRÍTICA: Elvis
8 10 0 1
Com exageros, diretor constrói espetáculo em formato de filme para fazer uma ode ao acontecimento Elvis Presley.
Com exageros, diretor constrói espetáculo em formato de filme para fazer uma ode ao acontecimento Elvis Presley.
8/10
Total Score

Descubra mais sobre Showmetech

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Posts Relacionados