RPGs orientais e ocidentais são mesmo tão diferentes?

RPGs orientais e ocidentais costumam apresentar algumas diferenças, de acordo com os fãs. Será que essas diferenças são tão aparentes assim?

Videogames se tornam agradáveis e populares a partir de muitos conceitos; um dos principais é a possibilidade do jogador embarcar em aventuras fantásticas que jamais iriam existir no mundo real, mas que dependem realmente dele para ocorrer. Por mais que essa descrição seja um lugar comum nos mais variados tipos de jogos, existe um gênero específico que parece se encaixar perfeitamente nisso: os RPGs. 

Presentes há décadas, milhões de pessoas os jogam e guardam em seus corações as narrativas. Com o passar dos anos, os jogos eletrônicos de RPG começaram a ser tantos que, dependendo da região do mundo onde eram produzidos, poderiam ter tropos diferentes, o que chamamos de RPGs orientais e ocidentais. Mas qual é a real diferença entre eles? Isso que iremos explorar nesse especial.

Começos semelhantes entre RPGs orientais e ocidentais

Antes do RPG eletrônico, existe o RPG de mesa. Conhecido hoje em dia um pouco mais pelas massas após seu uso na primeira temporada da série da Netflix Stranger Things, o RPG de mesa, em especial o mais conhecido deles, Dungeon & Dragons, coloca o jogador no papel de um guerreiro místico que, conforme as regras estabelecidas nos livros do mestre e do jogador, tem liberdade dentro da história contada pelo mestre a agir como quiser, só dependendo de sua sorte em dados de 20 lados. 

Rpgs ocidentais e orientais, wizardy

Alguns dos primeiros jogos de RPG eletrônicos lançados e que ficaram populares, como Wizardy, tentavam passar essa liberdade de ações para os jogadores, com o mestre das partidas atuando simplesmente como a narrativa imposta pelos desenvolvedores dos jogos. 

Wizardy foi um grande sucesso, em especial no Japão, onde um ano depois de sua aparição, em 1986, Dragon Quest seria lançado. Obviamente inspirado pelo antecessor ocidental, mas com arte de Akira Toriyama, na época já conhecido por causa de um mangá que estava dando os primeiros passos, chamado Dragon Ball, o jogo foi um sucesso estrondoso na terra do sol nascente e se tornaria parte do léxico cultural do país.

Com o tempo, mais franquias foram sendo lançadas, como Final Fantasy, Shin Megami Tensei e afins, e tropos próprios da produção ocidental começaram a ser percebidos. O mais importante disso tudo, porém, é que esses títulos eram disponibilizados em consoles, como o Famicom (versão japonesa do amado Nintendinho) ou Master System. No ocidente, os RPG eletrônicos estavam, na maioria do tempo, presos em computadores. 

Junte a isso o lançamento fraco de Dragon Quest no Ocidente, chamado de Dragon Warrior por motivos de direitos autorais, que não teve nenhum grande apelo. Enquanto no Japão a arte de um famoso mangaká era um fator importante para o sucesso, no ocidente o jogo só parecia mais um dentre milhares de jogos, e, ainda por cima, em vez de contar com a jogabilidade frenética encontrada em outros títulos, dependia bastante de leitura. Para o principal público da época, crianças, tudo isso só contava como pontos negativos, o que em grande parte tornou o gênero um nicho no ocidente. 

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Porém, foi nesse nicho que séries como Diablo, Neverwinter Nights e Elder Scrolls foram se desenvolvendo, além dos MMORPG, como Ultima Online. Eles se vendiam, em sua grande parte, pela grande liberdade de escolhas que o jogador tinha, como poder eliminar algum ajudante no meio de uma jornada ou se tornar um mago guerreiro, tudo dependendo do que o jogador realmente queria fazer. 

A febre do Japão

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Em 1996, o nicho oriental no ocidente iria explodir em várias camadas. Em especial, em 1997 os jogadores ocidentais ficariam insanos com o potencial narrativo dos jogos do Japão por causa de Final Fantasy VII e suas CGs impressionantes, e em 1998 o mundo inteiro foi tomado por um furacão chamado Pokémon. Ambos os jogos pavimentaram o caminho para que os JRPGs deixassem de ser nicho fora de seu país de origem e se tornassem jogos bem vistos por todos.

Por muito tempo, a distinção entre RPGs feitos ocidental e orientalmente acabou não sendo citada ou mesmo reconhecida por muita gente, já que nos consoles, onde a maioria dos jogadores se concentravam, os títulos eram de origem ocidental. O termo começou a ser usado mais para meados dos anos 2000, e o choque que dividiria o entendimento de muita gente aconteceria por volta dessa época.

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Em 2010, Final Fantasy XIII foi lançado. Esperado por muitos como o grande título do PS3 e Xbox 360, ele acabou sendo bem decepcionante por uma maior linearidade e personagens não tão carismáticos. Por outro lado, em 2011, The Elder Scrolls V: Skyrim chegou para as mesmas plataformas, trazendo consigo toda a liberdade geral presente nos RPGs de computadores em uma jogabilidade de primeira pessoa. Após mais de 12 anos liderando, os clichês orientais em RPGs pareciam ter se cansado, enquanto finalmente a hora do RPG ocidental chegou. 

Qual é a real diferença?

Tendo narrado essas diferenças e a breve história, muitos devem se perguntar qual a razão disso tudo. Na verdade, sendo honesto, as classificações como JRPG ou WRPG, na verdade, não passam de termos usados por entusiastas de videogames para tentar classificar jogos que, na verdade, tem a mesma origem, e só usam abordagens diferentes. 

De modo geral, RPGs orientais não tem tanta personalização quanto os ocidentais. Por exemplo, a série Tales of, no oriente, contra a série Fallout, no ocidente. Muitas vezes em narrativas orientais, você toma controle de uma personagem pré-estabelecida ou de um grupo pré-estabelecido, enquanto em ocidentais, isso dificilmente acontece.

Essa diferença entre RPGs orientais e ocidentais é mais óbvia, mas a direção de arte dos dois é bem diferente. Isso envolve música, design, arquitetura de cenários etc. Em RPGs orientais, há uma maior necessidade de grinding, ou seja, de ficar treinando e treinando e treinando para conseguir mais XP e evoluir para derrotar algum chefe ou coisa parecida. Em RPGs ocidentais, normalmente essa necessidade é suprida por side quests, que, por sinal, costumam ter mais história e serem mais relacionadas, de modo geral, à história que aquelas dos orientais.

Existe um certo problema em classificar o gênero que um jogo é, pois, conforme a indústria foi evoluindo, mais e mais elementos de um tipo foram passados para outros. É normal ter jogos de plataforma que contam com level up, por exemplo. No final, essas classificações são feitas mais no léxico popular, e não chegam a passar de fato para os desenvolvedores, que normalmente nem chegam a realmente encaixar o jogo em algum tipo, deixando esse trabalho mais para jornalistas em suas análises.

No fim, existem RPGs orientais, hoje em dia, que contam com elementos de liberdade muito parecidos com os vistos em ocidentais, enquanto existem muitos RPGs ocidentais que bebem muito da inspiração de jogos orientais. Nada se cria. Tudo, absolutamente tudo, se adapta e se junta para formar novas obras. Ter isso em mente ao analisar e pensar se realmente existem essas diferenças é um processo importante.

Você pode checar vários reviews de RPGs feitos pela equipe do Showmetech, desde mais famosos, como Assassins Creed, até mais obscuros, como Tyranny.

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