Historiadores criticam o uso de inteligência artifical para recriar vídeos antigos em 4K

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YouTubers e artistas estão usando IA para recriar vídeos antigos em 4K, mas os historiadores argumentam que o processo pode tornar o passado identificável

É cada vez mais comum o uso de inteligência artificial (IA) para aprimorar vídeos antigos em 4K. YouTubers e diversos artistas estão utilizando a tecnologia para recriar conteúdos audiovisuais, seja adicionando cores, sons ou aumento a resolução das imagens. 

Mas a proposta de recriar vídeos antigos em 4K não tem agradado alguns historiadores. Para eles modernizar filmes e adicionar cor às fotografias pode trazer uma série de problemas.

O curador da Biblioteca Britânica, Luke McKernan, foi categórico ao criticar o trabalho de Peter Jackson, que aprimorou e coloriu as imagens de um documentário sobre a Primeira Guerra Mundial. Para McKernan fazer a filmagem parecer mais moderna “é um absurdo”. Segundo ele a “colorização não nos aproxima do passado; apenas aumenta o intervalo entre presente e passado”.

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Para historiadores recriar vídeos antigos em 4k pode acabar alterando a maneira como enxergamos o passado

Acadêmicos e historiadores que pensam como Luke McKernan acreditam que modernizar vídeos e fotografias antigas pode acabar descaracterizando o passado. Afinal, as remasterizações acabam alterando o conteúdo original e essas mudanças não estão sendo vistas com bons olhos. 

Por outro lado, os criadores desse tipo de conteúdo defendem a ideia. Denis Shiryaev, por exemplo, costuma postar no YouTube as etapas do processo restauração dos seus trabalhos para que ninguém possa confundir os vídeos editados com o conteúdo original.

Recriar vídeos antigos em 4K é uma estimativa da realidade

Os editores que fazem upscaling também defendem que a rede neural usada para recriar os vídeos antigos em 4K se baseia em como as imagens seriam na vida real. Porém para os historiadores essa justificativa não tem muito fundamento, pois as cores recriadas por ferramentas como DeOldify e Neural Love, por exemplo, não foram extraídas ou capturadas a partir de cores originais, mas sim de uma estimativa de como elas seriam.

No caso da edição feita por Denis Shiryaev a partir de vídeos das ruas da Nova York dos anos 1910, os acadêmicos apontam que além de as imagens não terem sido capturadas no cenário original, ainda são adicionados novos quadros à cena o que acaba descaracterizando o conteúdo.

Além disso, elementos podem ser removidos ou adicionados aos vídeos sem levar em consideração a importância histórica de cada um. Para eles, modernizar arquivos centenários pode acabar afetando o modo como as pessoas enxergam o passado, afinal as imagens e vídeos tratados com IA nunca serão historicamente precisos.

“O problema com a colorização é que leva as pessoas a pensarem nas fotografias apenas como uma espécie de janela descomplicada para o passado, e não é isso que as fotografias são”

Emily Mark-FitzGerald, professora associada da Escola de História da Arte e Cultura da University College Dublin

Para Mark-FitzGerald é preciso ter muita cautela com esse tipo de edição. Para ela, depois que as imagens e vídeos editados caem na internet pode ficar difícil para uma pessoa com poucos conhecimentos sobre história identificar o que é real e o que é alterado.

Ela afirma, inclusive, que já fez com que alunos enviassem ensaios que incluíam imagens com cores falsas, sem perceber. A maneira como esses materiais são consumidos e divulgados pode acabar tornando o passado não identificável.

Fonte: Wired, My Modern Met

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