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Inflação: o que é e como ela impacta seu bolso

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Quer entender as causas da inflação e como proteger pelo menos algum dinheiro das suas consequências? Te explicamos tudo!

Você com certeza já deve ter ouvido ou lido frases como “a inflação está aumentando” ou “a inflação está em X%” — esse não é um conceito estranho ao brasileiro — mas você sabe quais são as causas e os impactos dela no seu bolso?

Neste guia, vamos explicar exatamente o que é a inflação e porque esse termo está tão presente em nossas vidas, além de como ela funciona, como pode ser medida e comparada com outros países e quais as consequências de uma taxa de inflação alta para os cidadãos.

Inflação subindo
A inflação impacta toda a sociedade de um país

O que é inflação?

Vamos começar do princípio: inflação é a palavra usada para representar o aumento geral dos preços de bens e serviços em um país sem que ocorra uma valorização da moeda nacional. Ou seja, quando há um aumento no custo de vida e uma redução do poder de compra de uma população.

Lembra do quanto você conseguia comprar com 5 reais quando era criança? E quanto esses 5 reais compram agora? Pois é — isso é inflação. E não é necessário nem olhar tão fundo no passado: o que você gastava no supermercado, ou quanto pagava em aluguel, escola ou faculdade, academia, entre outros produtos e serviços no mercado, há um ano, compra as mesmas coisas atualmente?

Vale a pena ressaltar que o aumento nos preços não significa necessariamente algo ruim, especialmente quando é espaçado ao longo dos anos e vem com reajustes nos salários, da mesma forma que uma queda não significa sempre algo ruim — comerciantes ganhando menos do que investiram no estoque diário pode gerar uma bola de neve num médio prazo.

O grande problema é quando há uma alta (ou queda) mais rápida do que pode ser absorvida, levando a nação a uma crise econômica.

Inflação: o que é e como ela impacta seu bolso. Quer entender as causas da inflação e como proteger pelo menos algum dinheiro das suas consequências? Te explicamos tudo!
A inflação representa o aumento geral dos preços em um país (Crédito: Daniel Hertzberg/WSJ)

Causas da inflação

Existem diversas causas para um aumento da inflação, agrupadas em quatro grandes categorias:

  • Aumento da demanda;
  • Aumento dos custos de produção;
  • Aumento de emissão de moeda;
  • Inércia inflacionária.

No entanto, dificilmente a causa da inflação será uma só, uma vez que geralmente um problema está relacionado (ou acaba gerando) a outros.

Aumento da demanda

A lei de oferta e demanda é uma das mais básicas do capitalismo: quando a oferta é maior que a demanda, os preços caem; quando a procura é maior que a oferta, os preços aumentam.

Quando essa relação está em equilíbrio, tudo está bem. No entanto, quando uma população passa a ter mais renda (ou a moeda valoriza) de forma rápida — e, consequentemente, a procura (ou demanda) aumenta subitamente — a oferta geralmente não consegue acompanhar a demanda, o que acaba elevando os preços e a inflação.

Uma boa maneira de exemplificar esse descompasso é o mercado de trabalho atual. Há uma alta procura por profissionais de tecnologia no mundo todo, inclusive no Brasil, mas não existem tantos profissionais disponíveis para suprir essa demanda. Assim, os salários desses profissionais acabam subindo internacionalmente.

Da mesma forma, se há uma seca num período que geralmente é de chuva e prejudica a colheita prevista, os preços desses produtos vão aumentar, porque a procura seguirá a mesma, mas haverá menor disponibilidade.

Supermercado vazio
Lembra no início da pandemia do coronavírus, quando muitos lugares sofreram com o desabastecimento de diversos itens em supermercados, como papel higiênico? (Crédito: CNBC)

Aumento dos custos de produção

Um cenário semelhante, e muitas vezes conectado, ao da inflação por aumento de demanda é o aumento dos custos de produção, pois também impacta a relação de oferta e procura mencionada previamente.

Quando há um aumento repentino no custo de produção de certos produtos ou mercadorias (como aumento salarial ou de impostos, ou então problemas de escassez, ou fornecimento de matérias-primas, por exemplo), as empresas tendem a repassar esse custo ao consumidor. Isso faz com que eles sejam vendidos por preços mais elevados, aumentando assim a inflação.

Alguns exemplos são o aumento do preço da energia elétrica (consequentemente, toda indústria que utiliza eletricidade na sua produção pagará mais caro, o que significa um eventual repasse de custos para possíveis intermediários e, principalmente, para o consumidor final), ou de combustíveis (uma vez que a logística de transporte de produtos e pessoas depende muito das rodovias).

Em algum desses casos, se o produtor eventualmente decide fabricar menos produtos devido ao aumento do custo das matérias-primas ou qualquer outro motivo, haverá menor disponibilidade no mercado, se tornando insuficiente para suprir a demanda. É dessa forma que o aumento dos custos de produção pode se relacionar ao aumento da demanda — e elevar os índices de inflação no país.

Aumento de emissão de moeda

Em alguns casos, o governo pode impactar o aumento (assim como diminuição) da inflação. Quando acontece dos gastos serem maiores que os arrecadamentos, as vezes é necessário emitir mais papel-moeda (imprimir mais dinheiro) para acertar as contas.

No entanto, quando isso acontece, há uma maior quantidade de dinheiro circulando no país, porém ele não tem lastro, isto é, não está associado a um aumento de geração de riqueza real.

Assim, a situação pode se tornar complicada rapidamente, uma vez que se tem mais dinheiro circulando, não associado à riqueza do país, mas sem haver também um aumento na oferta de produtos e serviços, gerando aumento nos preços.

Já deu para entender como essas categorias estão interconectadas, né?

O aumento da emissão de moeda pode levar à inflação
O aumento da emissão de moeda pode levar à inflação (Crédito: Pixabay)

Inércia inflacionária

Última da nossa lista, a inércia inflacionária é o processo em que a inflação passada se reflete nos preços de bens e serviços atuais. Isso normalmente acontece devido à indexação, mecanismo que reajusta, de forma automática, preços, salários, benefícios assistenciais, assim como de certos bens e serviços especificados em contrato (como aluguéis) ou administrados (energia elétrica, por exemplo).

Nesse caso, o objetivo é recompor a renda da população, corroída justamente pela inflação. No entanto, esse tipo de indexação pode gerar uma retroalimentação dessa mesma inflação, se tornando uma bola de neve.

Então, como a inflação é calculada?

Como são diversos os fatores que podem gerar alta na inflação de um país, é preciso avaliar uma série de índices para acompanhar sua variação.

Um dos principais medidores é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que acompanha a variação de preços de um conjunto específico de produtos e serviços consumidos por famílias que recebem entre 1 e 40 salários mínimos. O “amplo” no nome está relacionado ao seu objetivo de abranger 90% da população urbana brasileira. Além disso, ele é calculado mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Outro índice utilizado para medir a inflação é o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que mensura a flutuação dos preços dos produtos de bens e serviços para famílias com renda de até cinco salários mínimos. Por causa disso, esse medidor serve como termômetro para os reajustes feitos no salário mínimo.

O IGP (Índice Geral de Preços), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), também é utilizado, dessa vez com propósito bastante específico e focado no atacado e varejo: registrar a alta dos preços durante todo o processo de produção (desde a matéria-prima utilizada até a versão final do bem ou serviço ofertada ao consumidor).

Existem vários indicadores para medir a inflação
Existem vários indicadores para medir a inflação (Crédito: Shutterstock)

A taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), por sua vez, está relacionada aos juros da economia brasileira. Segundo o Banco Central (Bacen), trata-se da taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no sistema para títulos federais. Isso significa que o percentual da Selic indica o quanto o governo paga de juros às pessoas que compram títulos de dívida pública do Tesouro Nacional.

A Selic pode ser usada pelo governo para controlar a inflação, estimulando ou desestimulando o consumo baseado no custo de crédito. Assim, se a Selic é diminuída, a taxa básica de juros, assim como os investimentos em poupança, renda fixa e títulos públicos, passam a render menos, enquanto os empréstimos ficam mais baratos num geral.

Essa é uma tática usada pelo governo para estimular o consumo e a produção, uma vez que a população é desestimulada de poupar e o crédito se torna mais acessível. No entanto, pensando no longo prazo, isso poderia gerar uma nova inflação, de aumento de demanda.

Além destes, existem diversos outros medidores para avaliar os índices de inflação, como o IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10), IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), IPA (Índice de Preços no Atacado), e o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor).

Consequências da inflação

A principal consequência da inflação, como você já deve ter percebido, é a queda do poder de compra de uma população inteira ao longo do tempo, devido ao aumento do preço de produtos e serviços e da desvalorização da moeda.

Prolongada e fora de controle, a inflação pode desestimular setores da economia, e até mesmo empresas estrangeiras, a realizar investimentos no país, agravando assim a crise e gerando mais incertezas quanto aos rumos da nação.

Além disso, a inflação tem um impacto direto nos investimentos. Para saber quanto realmente rendeu uma aplicação, é necessário descontar a inflação do total acumulado. Assim, se um investimento deu um retorno de 13% e a inflação nesse período foi de 5%, o rendimento real é de 7%. No entanto, se a inflação foi maior que 13%, a pessoa na realidade perdeu dinheiro. Isso pode acontecer com aplicações atreladas à Selic, caso a taxa fique abaixo da inflação.

Inflação na prática
A inflação impacta no poder de compra da população, assim como em investimentos pessoais (Crédito: Siccob)

Como se proteger da inflação

Apesar de impactar a sociedade de forma geral, é possível adotar medidas para proteger pelo menos uma parte do seu dinheiro contra a inflação. Para isso, você pode investir uma parcela das suas economias em ativos com rendimento atrelado à própria inflação.

Uma opção é o Tesouro IPCA+, título que paga uma taxa prefixada de juros somada à variação medida pelo IPCA. Além disso, existem as debêntures, títulos de dívidas de empresas, que podem ter rentabilidade atrelada ao IPCA, assim como os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio).

Outras opções são fundos de investimento (ou fundos de inflação), atrelados a índices de preços, fundos imobiliários (que podem ter contratos atrelados à inflação), e aplicações de renda variável, como investimentos em empresas que possuam serviços ou produtos reajustados com a inflação.

Alguns investimentos são ideais para proteger ao menos parte do seu dinheiro
Existem investimentos que te ajudam a se proteger da inflação

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Fontes: Banco Central do Brasil, Serasa

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