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Nova geração de próteses biônicas pode revolucionar a sociedade

Nova geração de próteses biônicas pode revolucionar a sociedade
Próteses capazes de transmitir a sensação de toque, pressão e temperatura para aqueles que perderam membros. Mas qual será o limite disso no futuro?

Deus Ex é uma das franquias mais respeitadas do mundo dos games. A história por trás do jogo se passa num futuro em que os humanos terão acesso a próteses biônicas avançadas. A sociedade então se divide entre quem pode pagar pelas modificações e quem não pode. Seria esse o nosso destino? Pois a nova geração de próteses biônicas já está entre nós!

O pavor de perder um membro

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Melissa Loomis teve seu braço amputado após pegar uma bactéria de um guaxinim

Melissa Loomis mora em Canton, uma cidade com menos de 100 mil habitantes localizada no estado norte-americano de Ohio. Em 2015, sua vida estava como ela queria: saudável aos seus 42 anos, casada e dona de dois cães. Melissa adora animais.

Em um dia comum de passeio com seus cachorros, os dois encurralaram um guaxinim. Entre toda a confusão de latidos e grunhidos, Melissa tentou salvar o guaxinim, mas o animal, já apavorado, achou que fosse ser atacado e então atacou primeiro. Melissa agarrou o guaxinim e jogou longe, ele fugiu, mas o braço dela estava sangrando muito.

Foi um choque séptico, isso é: bactérias do guaxinim entraram na corrente sanguínea da Melissa e geraram uma forte infecção. As reações quase a levaram à morte: houve oscilação da temperatura, aumento pressão arterial, frequência cardíaca acelerada, respiração desrregulada e contagem de células brancas.

O médico Ajay K. Seth se assustou com o caso: “Eu acabei abrindo toda parte inferior e superior do braço, porque em todos os lugares eu podia ver mais e mais bactérias. Isso é definitivamente o pior que já vi em toda minha carreira.

Para salvar a vida de Melissa foi necessário amputar seu braço. Foram 29 dias de internação e 13 cirurgia. A família Loomis chegou a fazer campanha de financiamento coletivo e arrecadou US$ 7.395.

Triste por não ter conseguido curar o braço de sua paciente, o médico Seth soube recentemente de uma nova prótese biônica capaz de ser controlada e sentida pelo cérebro. Ele fez mais uma cirurgia em Melissa e redirecionou seus nervos para que pudessem controlar a prótese.

A prótese mais avançada do mundo

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A Universidade Johns Hopkins é considerada uma das três melhores dos Estados Unidos, muito por causa de seu foco em pesquisas. Perto de Baltimore, Maryland, está o seu Laboratório de Física Aplicada. Entre suas ocupações, um dos desafios dos estudantes é romper as fronteiras da interação homem-máquina.

É nesse ambiente que está localizada uma célula da DARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa), órgão federal dos Estados Unidos. A célula mencionada tem como objetivo criar próteses avançadas.

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Robô Sally é o único possuidor de dois dos implantes mais caros do mundo

Um dos primeiros projetos dos pesquisadores foi o Robô Sally, equipado com dois braços protéticos que possuem articulações para realizar quaisquer tarefas. O chefe do departamento de engenharia, Mike Mc Louglin, comentou em entrevista à VICE que apenas um braço custa centenas de milhares de dólares. Essa é considerada a prótese mais avançada do mundo! Ainda assim, Louglin revelou que pretendem democratizar a invenção para alcançar mais pessoas.

… e a primeira pessoa do mundo a testá-la

Ai que entra Melissa Loomis e seus nervos já prontamente localizados para a utilização da Prótese de Membro Modular (com siglas MPL, em inglês). Ela foi a primeira pessoa do mundo a testar o aparelho. Tudo ocorreu com sucesso.

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Fios são posicionados sobre nervos que davam sensações e controle do antebraço

Através do pensamento, Melissa conseguiu mexer a prótese como se fosse seu próprio braço. Os fios em contato com os nervos possibilitam sentir cada dedo, a sensação de toque, temperatura e pressão. São 100 sensores espalhados por todo o hardware, eles enviam informação sensório-motoras diretamente para o cérebro. Ou seja, a Melissa sentiu de forma densa um braço fantasma, enquanto viu toda a movimentação acontecer em sua frente.

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Melissa teve uma esperança de voltar a realizar suas tarefas normalmente. Ela relata que demora o dobro de tempo para se arrumar para o trabalho, enquanto tarefas simples se tornam complexas com apenas uma mão.

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Nesse experimento, Melissa conseguiu sentir a bola que apertou

Como a primeira pessoa a testar a prótese, Melissa recebeu destaque da mídia em diversos textos, programas de TV e artigos científicos. A verdade é que dois anos depois de toda a repercussão, Melissa Loomis continua vivendo com metade de seu braço direito, sem prótese. Contudo, nada abalou seu amor por animais. Seu perfil do Facebook é repleto de fotos de animais necessitados. Até colocou por um tempo um guaxinim com braço imobilizado como foto de perfil.

A ameaça de um futuro caótico

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Em Deus Ex, sociedade vive numa disputa para ter acesso a próteses

Voltemos a falar do jogo Deus Ex. É necessário encarar os impactos que essas próteses avançadas podem causar na sociedade. Quem vai poder pagar por elas? A medida que elas vão ficando mais avançadas, pessoas saudáveis vão amputar membros para implantar a melhoria? Vai ser possível hackear esses aparelhos?

Devemos estar alertar quanto a evolução dessa tecnologia, afinal quem está levando o projeto é a DARPA, e esse é um órgão militar. A DARPA foi criada durante a Guerra Fria para fazer frente às evoluções tecnológicas da URSS.

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História da DARPA é repleta de invenções para uso em campo de batalha

Se a agência ainda está ativa, é porque ainda têm utilidade para a defesa dos Estados Unidos, como carrega em seu nome. Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa. Portanto, é inegável que essas próteses são parte de um projeto de cunho militar. Então fica mais indagações sobre quais sãos usos imaginados para as próteses.

Fonte: Motherboard

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