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Por que pessoas fazem parte de cultos?

Entenda o que torna um culto perigoso, o que já aconteceu no passado e como identificar um usando uma lista de características

Muita gente precisa de religião para viver – ou mesmo para tolerar a vida –, mas algumas pessoas vão além e participam de grupos com características específicas e que, no fim, podem ser perigosas. Os cultos estão presentes não só no campo espiritual, mas em qualquer atividade que reúna requisitos-chave, seja na política ou na autoajuda. Mas, afinal, o que define modernamente o culto e por que as pessoas são atraídas por coisas do tipo?

No Brasil, o termo culto é comumente relacionado a um grupo de oração de religião evangélica. Mas não é esse o sentido completo do termo. No mundo inteiro, culto envolve um grupo que segue um líder específico, comumente relacionado à seita ou algo do tipo. Esses líderes são carismáticos e não permitem questionamentos internos. Em um culto, só fica quem obedece cegamente às regras do grupo, que podem estar escritas em um livro de ordens.

O culto oferece salvação de várias maneiras, e por isso tende a atrair quem busca respostas e está em situação frágil. São pessoas facilmente convencidas a entrarem no grupo em busca de conforto espiritual e que acabam sendo alvos de extorsão. Os líderes de cultos acabam sendo, em sua maioria, homens que buscam por poder, domínio sexual ou dinheiro, ou as três coisas juntas.

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Esse comportamento teve ápice em 1978, quando quase mil pessoas morreram em Georgetown, na Guiana. Elas participavam do culto Peoples Temple Agricultural Project, conhecido como Jonestown. Influenciadas por um líder adorado por todos, mulheres, homens, idosos e crianças tomaram veneno juntos em busca de salvação. O caso é considerado o maior suicídio em massa da história moderna.

Características dos cultos

Depois da tragédia de Jonestown, hoje já se sabe as principais características de um culto moderno perigoso. Se um grupo religioso, político ou até de negócios reúne os seguintes aspectos, é bom se preocupar:

Líder

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Um culto se caracteriza primeiro por contar com um líder personificado, que atrai multidões geralmente por conta do seu carisma. Esse líder é geralmente homem, com traços de personalidade autoritários e narcisistas. Ele é a referência e gosta de bajuladores, e está disposto a fazer tudo para manter os seus seguidores fieis.

Em geral, há três motivações para o líder. Primeiro o dinheiro, arrecadado dos fieis. Segundo o domínio sexual: líderes de cultos comumente usam sua influência para abusar do corpo de pessoas que participam do culto. Por último, um líder se move pelo puro poder de influenciar as pessoas. E não é raro que esses três elementos estejam juntos na mesma pessoa, o que a torna mais perigosa.

O círculo próximo

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Outra característica de cultos ou seitas é a presença de um grupo de pessoas que assessora o líder e faz a ponte entre ele e os seguidores. São pessoas que garantem o distanciamento necessário para que o líder seja ainda mais inalcançável. Isso torna o líder mais poderoso, na medida em que vira quase uma entidade dentro do culto.

O mesmo círculo próximo do líder é responsável por parte do trabalho sujo. Essas pessoas são responsáveis por fazer cumprir as regras internas, vigiar que as desobedece e, é claro, coletar o dinheiro das massas.

O livro de regras

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Um culto dificilmente se atém a questões mundanas, e normalmente diz ser a resposta para problemas essenciais da condição humana. Uma forma de atrair seguidores é oferecer a solução para as principais dúvidas da vida, algo que ajude a explicar os problemas pelos quais um potencial fiel está passando.

Dito isso, o culto se destaca não só por oferecer as respostas, mas por ditar exatamente como alguém deve se comportar para alcançar a salvação. Para isso é comum haver um livro de regras com as orientações devidamente escritas. Em alguns casos, esse manual pode ser a bíblia interpretada de maneira fundamentalista. Em outros, um culto pode adotar seu próprio conjunto de diretrizes criadas pelo líder.

Sistema de controle

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Dentro do culto é muito importante evitar divergências. O comportamento dos seguidores e do grupo próximo ao líder deve sempre seguir a cartilha. É provável haver um mecanismo para coibir questionamentos, normalmente com punições. Para o líder, é imprescindível que todos se mantenham cegos ao mundo exterior, a ponto de realizar qualquer ordem, como aquela que levou à morte de centenas de pessoas na Guiana.

Recrutamento

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Um culto não vive muito tempo sem novos membros, por isso a cultura de recrutamento tende a ser muito forte. Em cultos modernos, o sistema de agregação de novos adeptos costuma ser organizado no formato de pirâmide. O grupo próximo ao líder, o primeiro a ser formado no culto, traz uma certa quantidade de novos membros. E cada pessoa nova é responsável por trazer o mesmo número de seguidores.

O efeito gera um aumento exponencial no número de novos participantes, fazendo o culto crescer rapidamente. Também não é raro haver premiações e promoções internas para quem recruta mais pessoas, do mesmo modo que esquemas comerciais e ilegais de pirâmide.

culto recrutamento

Existe também um método de busca de alvos. Assim como em grupos de compras famosos com estrutura parecida, os recrutadores traçam um plano de ação específico para buscar seguidores. Às vezes podem levar meses até o recrutamento de uma pessoa ser concluído, tempo suficiente para gerar confiança entre as partes. Por isso, a preferência inicial em três quartos dos casos tende a ser por familiares e amigos próximos.

Esse tempo de convencimento também ajuda a criar a oportunidade perfeita. Pessoas que acabaram de perder alguém importante, serem demitidas e que estão emocionalmente fragilizadas no geral são os alvos perfeitos.

Ciclo vicioso

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Depois de entrar no culto, um novo membro leva um choque de doutrinação que o fez sentir altas doses de culpa, vergonha e medo. A pessoa toma o impacto do discurso do líder, recebe o código de regras e começa a ser controlada pelo mecanismo interno que impede questionamentos. Como é natural que outras pessoas conhecidas já estejam no culto, acaba se tornando cada vez mais difícil resistir às amarras, aumentando as chances de permanecer. Um ciclo vicioso se cria, e o novo membro pode se tornar ele próprio um recrutador em pouco tempo.

Um vídeo do TED-Ed descreve bem como essa ameaça moderna se mantém oculta em grupos aparentemente inofensivos. Vale a pena assistir:

É jornalista e comunicador digital por formação, gosta de tecnologia desde que se entende por gente e escreve sobre isso há bastante tempo. Como um bom nerd, gosta de séries e ficção científica, e tenta relacionar tudo isso com estudos sobre comunicação.

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