Review: Motorola One – o primeiro Android One do Brasil

Review: Motorola One – o primeiro Android One do Brasil equilibra potência e preço
O mais novo lançamento da Lenovo, o Motorola One, esbanja beleza de premium, mas na realidade é um modelo intermediário com várias promessas

O Android One é uma iniciativa do Google para tentar unificar o seu sistema operacional sob uma vertente pura. A promessa é que os aparelhos com Android One tenham uma experiência fluída, inteligente e segura. O maior destaque é o comprometimento de atualizações constantes. O Motorola One introduz esse conceito no Brasil.

Desde o lançamento, em 2014, a linha de smartphones com Android One cresceu, e a Lenovo acaba de trazer o primeiro representante do programa ao Brasil, o Motorola One. Confira agora o que achamos do mais novo celular da Lenovo que traz a proposta de ser elegante e potente, sem pesar no bolso.

Motorola One: Bonito como uma maçã

Review: Motorola One – o primeiro Android One do Brasil equilibra potência e preço
Motorola One renova o visual da marca

O design do Motorola One causa um impacto direto. O smartphone foge do design padrão da linha Moto, o que demonstra um suspiro de criatividade na marca, porém essa criatividade é um tanto limitada, uma vez que fica claro a inspiração no iPhone X.

Apesar do corpo de plástico, nos deparamos com um smartphone muito bonito e que transborda elegância. Por mais que não seja vidro na traseira e alumínio nas bordas, o trabalho da Motorola foi tão bem-feito que o plástico passa despercebido aos olhos.

As dimensões de 149,9 mm de altura, 72,2 mm de largura e 7,97 mm de profundidade se materializam num aparelho esbelto, nas medidas certas para os padrões atuais e com apenas 162 gramas.

O design do Motorola One chega com um ar de renovação necessária da divisão de smartphones da Lenovo. Em minha opinião pessoal, o Motorola One, especialmente na cor branca, é o smartphone mais bonito que a empresa já fez, a frente alguns pontos do Moto G6 Plus na cor índigo.

A era notch chega para todes

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Tendência no iPhone X agora também nos aparelhos Android no Brasil

Aqui temos o primeiro celular da Motorola com notch, encarando a polêmica da Apple que se tornou tendência de mercado.

Para aqueles que não gostaram do notch do iPhone X, a realidade pode impressionar. Pessoalmente o notch no Motorola One deixa o aparelho com um visual bastante diferente, e se olhar rapidamente parece que se está usando um smartphone da Apple 3 mil reais mais caro.

Graças ao notch, a tela ocupa 81% da frente do Motorola One, contra 77% do Moto Z3 Play. Para isso, o leitor biométrico está posicionado na traseira do aparelho, na logo da Motorola.

A tela do Motorola One poderia ser ótima: 5,9 polegadas, proteção Gorilla Glass e um painel IPS que consegue reproduzir bem as cores. Porém, houve um grande erro ao decidir a resolução HD+ (720 x 1520). É justificável se foi para manter o preço competitivo, mas não ainda é frustrante ver vídeos, jogar e basicamente usar o celular travado na resolução 720p.

A grande promessa do Android One

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Android do Motorola One é mais puro do que o já “puro” dos outos modelos da marca

O maior destaque do Motorola One não é seu design ou tela, é ser o primeiro smartphone do programa Android One no Brasil. Como já explicado, essa iniciativa do Google tem como intuito padronizar os smartphones com Android puro. Isso não significa que o sistema é livre de modificações da fabricante.

Como já discutido no review do Moto G6 Plus, é errado que a Lenovo venda seus celulares dizendo possuem Android puro, pois na verdade não são e o discurso ajuda a “demonizar” as alterações que eles próprios fazem. No caso do Motorola One, o Android 8.1.0 Oreo vem com modificações da Lenovo, mas são mínimas e ajudam bastante no uso do smartphone.

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Moto Tela amplia as funcionalidades do aparelho sem que seja necessário desbloqueá-lo

O app Moto exibe features exclusivas da fabricante para o Motorola One, porém bem menos numerosas que nos outros celulares da marca, devido a restrições do Android One. Portanto, aqui temos apenas o Moto Tela (tela esmaecia mostrando sutilmente o relógio e as notificações) e o Moto Ações (somente com agitar para ligar lanterna e girar para ligar a câmera).

O Android entrega uma experiência bastante robusta na edição Oreo. A versão 8.1.0 não traz novidades significantes, como tem sido há um tempo no sistema operacional. Entretanto, o uso é sempre fluído, tirando bom proveito do hardware. Há uma visível aliança entre performance e eficiência energética, como prometido pelo Google com o Android One.

Porém, há um importante questionamento. Em 2017 a Google afirmou que os celulares com Android One seriam os primeiros a receber o Android 9. Por que o Motorola One não veio com o Android 9 e não possui nem previsão para a atualização? O mesmo problema se repete com os Xiaomi Mi A1, A2 e A2 Lite, que também fazem parte do programa de unificação. Ao que parece, fomos ludibriados por toda a explicação do Google na I/O 2017 sobre atualizações mais rápidas no Android One.

O preço a se pagar é de smartphones ainda despreparados para lidar com seu display 19:9, é o que se vê no Motorola One. Em muitos aplicativos, nota-se uma má adaptação à tela alta e arredondada nos cantos. Em jogos, como PUBG, botões chegam a ficar ausentes da tela.

Enquanto ao notch, mostra-se apenas como adequação à tendência, pois ele acaba por prejudicar a experiência às vezes. O Android ainda não sabe aproveitar o notch e faz dele apenas um detalhe que ocupa espaço necessário. A barra superior, que naturalmente mostra os ícones que possuem notificações pendentes, se limita a apenas um ícone ao lado do relógio.

É evidente que o Android Oreo não é o ideal para smartphones com display 19:9 e notch, ao contrário do iOS no iPhone X. A Apple soube trazer novas formas de interação com o iPhone X, coisas que o Google vem tentando incorporar no Android 9 Pie.

Carinha de 18, corpo de 42

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O que esses celulares possuem em comum? O mesmo processador desde 2016.

O design atualizado do Motorola One esconde um hardware velho e já batido. A Motorola insiste em colocar processadores antigos em seus smartphones, é o que fica claro pois o Motorola One ainda carrega o Qualcomm Snapdragon 625, o mesmo do Moto Z Play (2016). A Qualcomm oferece alternativas recentes que são mais competentes, como o Snapdragon 636.

Ignorando esse problema de lentidão do próprio mercado, o desempenho do Motorola One é satisfatório. O processador octa-core de 2 GHz oferece agilidade para abrir aplicativos, aliado aos 4 GB de RAM, o resultado é uma navegação fluída, sem engasgos. Porém, ao entrar no cenário gaming, a GPU Adreno 506 mostra sua idade e requer configurações gráficas baixas para rodas bem os jogos.

O usuário pode se sentir bem à vontade com os 64 GB de armazenamento interno, com expansão para cartão microSD de até 256 GB. Já a bateria repete o padrão 3.000 mAh, sem impressionar. O Android One se compromete a gerir bem a energia, então se garante que o Motorola One tenha uma bateria que dure o dia todo com folga.

O carregamento TurboPower não é tão rápido quanto em outros aparelhos da empresa. O Motorola One chega aos 33% na primeira meia hora de recarga, enquanto o Moto G6 Plus chega a 48%, o que deve acontecer devido ao processador ser mais recente e potente. Porém, isso não tira do Motorola One o mérito de ser um aparelho com carregamento TurboPower.

Alinhadas verticalmente, mas não potentes quanto aquele

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Mais uma inspiração no iPhone X

As câmeras do Motorola One foram outro ponto a se limitar para oferecer um preço competitivo. O conjunto da câmera traseira é composto por 13 MP (f/2.0) + 2 MP (f/2.4). Ainda há um flash de único LED. O resultado prático das câmeras está dentro do esperado, o que não significa ausência de problemas.

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Câmera pode se sair bem em condições favoráveis e consegue resultados regulares em outros momentos

As câmeras conseguem capturar bem os momentos, nisso não decepciona. O nível de detalhes nas fotos é satisfatório para um celular intermediário, dar zoom nas fotos prova isso. Porém, as imagens podem sair escuras.

Existe uma clara confusão no software para determinar o nível de brilho e contraste, sempre pendendo para exageros. Porém, o recurso de HDR é muito bem-vindo e acaba por solucionar esse problema e apresentar fotos bastante bonitas.

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Brilho pode sair estourado e contraste mal ajustado, mas com HDR os problemas se solucionam (o que acontece na primeira foto à esquerda)

As cores são outro ponto forte da captura. As cores são vívidas, mas não irreais. O resultado se faz novamente satisfatório.

Review: Motorola One – o primeiro Android One do Brasil equilibra potência e preço
Cores capturadas pelo Motorola One são bastante vivas

Com o passar o dia, as fotos vão perdendo nitidez e as aberturas de lente 2.0 (principal) e 2.4 (secundária) mostram sua fragilidade. É fácil que a comum saia borrada em ambientes noturnos, mesmo com a presença de fontes de luz.

Review: Motorola One – o primeiro Android One do Brasil equilibra potência e preço
Fotos noturnas são facilmente borradas

Entretanto, mesmo de noite, as fotos podem sair com qualidade decente, ainda que com poucos detalhes finos.

Review: Motorola One – o primeiro Android One do Brasil equilibra potência e preço
…mas ainda assim podem sair regulares. Dia à esquerda, noite à direita

As fotos de modo retrato impressionam por conseguirem dar um desfoco bonito, algo não alcançado em outros smartphones intermediários. Entretanto, assim como seus semelhantes de preço, o modo retrato só é possível bastante perto do objeto, e com um processamento um tanto lento.

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Modo retrato rende belas fotos

A câmera de selfie tem 8 MP, com abertura de lente f/2.0 e flash LED. Para o público comum, as fotos podem ser muito boas, mas para aqueles que querem qualidade maior mesmo de noite ela se mostra regular. Ainda assim, no geral, a câmera captura bem os momentos e tem recurso HDR também – só é necessário ficar parado um pouco para não sair borrado.

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As selfies possuem uma qualidade boa, mas nada surpreendente. Primeira foto à esquerda está sob efeito HDR.

Para vídeos, o Motorola One grava em Full HD com 30 FPS. Há suporte há câmera lenta, time lapse, captura de foto durante gravação, animação seletiva em fotos e transmissão ao vivo no YouTube. Porém, devido à falta de um estabilizador, os vídeos podem sair facilmente tremidos, com muito ruído visual, além de cores lavadas.

Intermediário em pele de premium

O Motorola One é um avanço para a marca. Representa um desapego ao antigo design cansado da empresa, adota uma tela 19:9 com notch, introduz o Android One ao Brasil e tem câmeras simples, mas competentes. Porém, há também motivos em todos os quesitos que justificam o modelo estar na categoria de celulares intermediários.

Novamente, entramos no discurso de que a Motorola está competindo consigo mesma lançando tantos smartphones parecidos em hardware. O Motorola One não deveria ter o mesmo processador do Moto G5 Plus, mas tem. Contudo, diferente da disputa Moto G6 Plus x Moto X4, por exemplo, o Motorola One consegue trazer mais novidades, desde a tela até o sistema operacional (com garantia de 2 anos de grandes atualizações).

Com certeza o preço será decisivo a quem pretende comprar um aparelho como o Motorola One. O aparelho tem preço sugerido de R$ 1.499, no entanto os varejistas ainda não vendem a um preço baixo, sendo R$ 1.422,62 o melhor já registrado até o momento. Recomendamos aguardar o Black Friday 2018, em que se espera uma queda relevante do preço.

No final, o Motorola One se mostra como um celular esbelto, bonito, com potência para o cotidiano, ainda que não seja recomendado para quem gosta de usos específicos, como fotos (câmeras simples), ver séries (tela HD) e jogos (Snapdragon 625). Se você apenas quer um celular bonito e responsivo, pode olhar com carinho para o Motorola One.

Motorola One
  • 9/10
    Design - 9/10
  • 7.5/10
    Tela - 7.5/10
  • 6/10
    Hardware - 6/10
  • 9/10
    Sistema Operacional - 9/10
  • 7/10
    Bateria - 7/10
  • 6/10
    Câmera - 6/10
  • 8/10
    Desempenho - 8/10
7.5/10

Resumo

Com aparência premium, mas hardware ultrapassado, Motorola One se destaca pelo layout da tela e por ser o primeiro smartphone Android One no Brasil.

Pros

  • Design bem-feito mesmo com corpo de plástico
  • Tela grande, com proteção Gorilla Glass e de cores vivas
  • Android One
  • Câmeras competentes para um intermediário
  • Uso eficiente de energia garante bateria para o dia todo

Cons

  • Notch está presente só para seguir tendência, sem justificativa real
  • Android Oreo não sabe aproveitar bem a tela 19:9 com notch
  • Tela de resolução 720p
  • As câmeras traseiras, apesar de competentes, não deixam de ser simples e com confusões próprias
  • Gravação de vídeos pode ser frustrante
  • Snapdragon 625, usado também no Moto G5 Plus
  • Android One, mas não atualizado para o Android 9 Pie
  • Preço ainda caro

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