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Após longos anos de espera pelos fãs mais fervorosos da série, Rhythm Heaven Groove chega ao Nintendo Switch com muitas novidades, mas também com todas as características que tornaram a série uma das mais emblemáticas quando o assunto é game de ritmo. O título vem ganhando ótima aceitação pelo público, mas será que ele vale tanto à pena assim? Vejamos nesta análise:
Jogabilidade
Jogar Rhythm Heaven Groove não poderia ser mais direto e fica muito fácil de explicar sobre o game a um amigo que nunca ouviu falar dessa série. A ideia é simples: entramos em minigames onde, basicamente, basta apertar um ou dois botões, guiando-se pelo ritmo musical, para avançar. Com uma proposta tão modesta de gameplay, vem a sensação de que pouco se é controlado pelo jogador, e é aí que as coisas podem ser muito diferentes do que se pensa…
Apesar dos poucos comandos, que se resumem em apertar um ou dois botões (sem utilização de controles de movimento), a dificuldade aqui está em acertar o momento de quando pressioná-los. É através de sinais sonoros, que entram em sintonia com o ritmo das músicas, que devemos apertar o botão específico no momento certo e com o máximo de precisão. E aqui devemos abrir um parênteses bem técnico a respeito dos possíveis delays que podem ocorrer a depender da configuração com que você estiver jogando no seu Nintendo Switch.
O jogo recomenda que não sejam utilizados fones de ouvido sem fio e adiantamos que jogar na TV com o aparelho dockado adiciona um atraso que torna impossível controlar os comandos no ritmo certo. Felizmente, para este último modo há uma opção para configurar o delay (TV Input Delay Settings), consistindo em ajustar, através do pressionar dos botões, o tempo entre o som que surge na tela com o toque do controle. Ainda bem, pois este tipo de jogo fica ainda mais divertido em uma tela grande ou quando acompanhado por uma plateia de amigos ou familiares. Em nossos testes, isso resolveu e ainda permitiu boas gargalhadas em tela grande.
Modos de jogo
Aqui está um dos grandes diferenciais de Groove. Ao mesmo tempo em que o título traz os tradicionais minigames rítmicos — aqui compostos em grupos de quatro, incluindo um remix ao final que reúne os minigames anteriores em uma composição altamente criativa — o game é recheado de extras. Entre eles, estão os mais de 30 microgames inéditos (além dos mais de 80 voltados ao single player) para serem jogados em conjunto com outras pessoas, tanto de forma cooperativa quanto competitiva, bem como conteúdos rítmicos voltados a testes e a realização de desafios variados.
Também não podemos deixar de citar o diferenciado modo “RPG” de batalhas chamado Beatspell. Nele, controlamos um personagem que deve desferir golpes especiais em inimigos, bem como pode invocar magia para recuperar a sua barra de vida. Uma adição interessante ao escopo do game, que funciona bem, possui fluidez e garante algumas boas surpresas. Este modo faz lembrar os jogos da série Theatrhythm Final Fantasy, uma vez que há a música em conjunto com as batalhas e também um tipo de influência reversa. Sobre isso, devemos explicar.
Influenciado por jogos da linha WarioWare (2003-atual) (uma vez que ambas franquias compartilham da mesma equipe de desenvolvimento da Nintendo), a série Rhythm Heaven ganhou estágios dinâmicos, coloridos e carismáticos de uma forma bem esquisitona, tal como a série de microgames do bigodudo antagonista da Nintendo. Surgindo no ano de 2006 para o Game Boy Advance no Japão (e em 2008 para o Nintendo DS no resto do mundo), a franquia Rhythm Heaven foi também responsável por originar diversos outros jogos do gênero, incluindo aí a já citada e famosa série musical baseada na franquia Final Fantasy.
Voltando ao conteúdo propriamente dito de Groove, todos os seus elementos, assim como os extras que são habilitados conforme o jogador avança (tais como novas fases, amostras de vídeos e partes do roteiro), enriquecem ainda mais o game, trazendo a sensação de que há muito a ser feito, mesmo depois de completá-lo, seja na obtenção de novidades ou na quebra de recordes e busca pelas melhores classificações. E acredite, não é fácil conseguir os famigerados “Perfects” em cada fase, forçando, muitas vezes, o jogador a repeti-las várias vezes para melhor entendimento e obtenção exata e sem erros da sequência de comandos.
Gráficos
Juntando a estética dos jogos anteriores da série, que inclui personagens cativantes e paisagens minimalistas em tons de desenho, o novo Rhythm Heaven consegue ser bastante fiel e trazer aquele ar animado e muito colorido característico além de incluir novas animações. Aqui vai uma pequena crítica quanto à possibilidade de ousar um pouco mais e aproveitar as capacidades gráficas da nova geração de consoles. A escolha pode não interferir na percepção dos fãs, mas fica um pouco aquele ar de jogo do passado que não evoluiu muito neste aspecto.
Som
Aqui é onde Rhythm Heaven Groove reina de forma soberana. Se é sobre o som que vamos descrever agora — considerado o ponto central e mais característico deste game e da franquia Rhythm Heaven em geral — podemos dividi-lo em três partes dentro do jogo.
Em primeiro lugar, os efeitos sonoros que aparecem nas seleções e comandos do game estão bem dispostos e caracterizados, mantendo a tradição por sonoridades de toques brilhantes e diferenciados em certos momentos como na seleção de estágios com um teor, digamos, mais temporário — como é o caso de quando selecionamos uma fase em que, oportunamente, o jogo lhe oferece algumas poucas tentativas para completá-lo sem erros (garantindo-lhe um coração).
Entrando na parte dos comandos dentro dos minigames, os variados tipos de sons rítmicos enunciam e preveem quais e quando os botões devem ser apertados pelo jogador para que os minigames possam progredir e conferir pontos, a depender da performance obtida. E eles são muito bem anunciados, indo desde um “pa pi pu pe po” para simular o pulo dos seres circulares em argolas no minigame Hoop Trundling até um “ih ihh ihhh qsham” que enuncia um espirro dado pela lua em Sneezy Moon. Dá até mesmo para jogar de olhos fechados, e o game o incentiva a fazer isso, uma vez que os elementos na tela podem (propositalmente) confundir o jogador em alguns momentos.
De forma magistral, as músicas presentes em Rhythm Heaven Groove são o que o jogo tem de mais cativante. Tendo sido produzido em conjunto com o compositor japonês “Tsunku” Mitsuo Terada (e o título deixa isso bem claro na tela de início e também nos créditos), o que ouvimos aqui são músicas de alto nível cultural e repletos de criatividade, que usam e abusam das características sonoras dos temas e dos sons rítmicos que são apresentados nos minigames.
Em um dos exemplos, a música original Tu es ici, moi aussi, cantada por Jacky Halim, cuja composição e arranjo ficaram à cargo de Tsunku e Rei Kamiya respectivamente, aparece no estágio Brolly Good Show 2, onde devemos fechar e abrir simpáticos guarda-chuvas. Ela possui uma letra traduzida para o francês, já que se passa em frente à Torre Eiffel, e apresenta como instrumental o cravo junto aos instrumentos mais comuns de uma banda pop. A proposta combina super bem com a região e tradição, tanto pelo idioma localmente traduzido, quanto pelo uso constante de um instrumento de teclado bastante tradicional para a música francesa.
Diversão e replay
Assim como seu irmão WarioWare: Move-It, porém guiando-se unicamente por botões e aspectos rítmicos, Rhythm Heaven Groove consegue apresentar um jogo de controle simples, acessível e muito divertido. Ele funciona para a família toda e contagia por levar a simplicidade dos controles a patamares musicais super animados e envolventes.
Os temas bem esquisitos e inusitados dos minigames também contribuem para gerar ainda mais atenção e arrancar risos e admiração do público que estiver jogando ou assistindo, seja na companhia de parentes, amigos ou por outros fãs e curiosos em eventos temáticos (fica a dica).
A quantidade de elementos, tais como modos de jogo, minigames, scores a alcançar e extras para serem desbloqueados parece não ter fim e isso acrescenta e muito ao game. Sem contar que, dadas as características do jogo e da ótima aceitação pelo público, é possível que tenhamos alguns updates no futuro, como minigames extras, novas músicas, controles e, quem sabe, um pacote de melhorias para o Nintendo Switch 2.
Preço e disponibilidade
Rhythm Heaven Groove foi lançado no dia 2 de julho de 2026 e possui tanto versão física quanto digital, ambas nacionais. Isto não quer dizer, infelizmente, que ele tenha sido traduzido para o nosso idioma, mas que possui apenas descrições oficiais em português brasileiro na eShop e na capinha da versão física do jogo. Os preços costumam variar em ambas versões, mas, a nível oficial, ele está sendo comercializado por R$ 219,90 na versão digital e R$ 249,00 na versão física pela Amazon (indisponível no momento do fechamento desta matéria).
A busca pela aquisição deste título tem sido ampla desde o seu pré-lançamento, gerando esgotamento nas prateleiras em poucas horas, mas é possível que os amantes das mídias físicas o encontrem, com um pouco mais de persistência e aguardo, em sites varejistas de confiança. Diante de tal aceitação, ficamos na esperança de poder ver em tela expressões genuinamente localizadas para o nosso idioma, como controlar um “boneco joão bobo de gatinho”, ou seguir o ritmo para descascar uma “”cebola bem cabeluda”… Afinal, sonhar não custa nada.
Conclusão
Rhythm Heaven Groove é, certamente, o melhor jogo de ritmo do Nintendo Switch. Com desafios na medida certa, variados minigames e proposta de muita diversão, o game é uma das últimas apostas do console que colocou a Nintendo de volta ao pódio da indústria do entretenimento eletrônico e tem o poder de agradar a todos os tipos de público, seja ele casual ou hardcore. A presença de uma localização para o nosso idioma faz falta e um pouco mais de ousadia nos gráficos poderia ter gerado um produto ainda melhor, mas isso não tira o brilho deste jogo que tem tudo para estar na lista dos melhores do ano.
*Análise de jogo realizada a partir de código gentilmente cedido pela Nintendo.
Veja também:
Revisado por Luís Antônio Costa em 16/07/26
Rhythm Heaven Groove
Rhythm Heaven Groove-
Gráficos90/100 Incrível
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Som100/100 Excelente
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Jogabilidade95/100 Excelente
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Diversão100/100 Excelente
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Replay90/100 Incrível
Prós
- Mais de 80 minigames rítmicos no single player e mais de 30 no multiplayer;
- Músicas contagiantes e de alto nível cultural e contextual;
- Progressão viciante e bem equilibrada;
- Simplicidade e diversão levados ao extremos em um dos últimos e mais importantes títulos para o Switch.
Contras
- Ausência de localização para o idioma português brasileiro;
- Falta de ousadia e inovação nos gráficos.