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A NASA marcou para 30 de agosto de 2026 o lançamento do Telescópio Roman (ou Telescópio Espacial Nancy Grace Roman), observatório criado para combinar imagens infravermelhas nítidas com uma visão panorâmica do céu. Já abastecido e em preparação final no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, o Roman poderá mapear bilhões de galáxias, acompanhar estrelas em busca de exoplanetas e investigar a energia escura em uma escala impraticável para os telescópios atuais — não por substituir Hubble ou James Webb, mas por observar áreas muito maiores de uma só vez.
Lançamento em 30 de agosto

O lançamento está previsto para 7h26 no horário da costa leste dos Estados Unidos, ou 8h26 no horário de Brasília, a bordo de um SpaceX Falcon Heavy. O foguete partirá do Complexo de Lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy. Como ocorre em missões espaciais, a NASA trata o horário como alvo “não antes de” e ele ainda pode mudar por condições meteorológicas ou técnicas.
O observatório teve a construção concluída no fim de 2025, chegou à Flórida em junho e recebeu cerca de 1.100 litros de hidrazina em julho. Os próximos passos são fixá-lo ao adaptador do estágio superior e envolvê-lo na carenagem protetora do foguete. Portanto, dizer que o Roman está “pronto” significa que o telescópio da NASA terminou construção e testes e entrou na campanha final de lançamento, não que todas as operações de solo já acabaram.
Após a decolagem, o Roman seguirá para uma órbita ao redor do ponto de Lagrange L2, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra — a mesma região usada pelo James Webb. A missão principal deve durar cinco anos, com projeto e combustível que podem permitir uma extensão de mais cinco.
Um Hubble panorâmico

O espelho principal do Roman tem 2,4 metros de diâmetro, praticamente o mesmo tamanho do Hubble. A diferença decisiva está no Wide Field Instrument (WFI), uma câmera infravermelha de cerca de 300 megapixels e 18 detectores. Cada foto cobrirá uma área do céu maior que o tamanho aparente da Lua cheia e pelo menos 100 vezes superior ao campo infravermelho do Hubble, mantendo nitidez comparável.
É aí que entra a ideia de fazer observações hoje “impossíveis”. O Roman não viola limites físicos nem necessariamente enxerga mais longe que qualquer instrumento. Sua vantagem é reunir área, profundidade, resolução e velocidade: nos primeiros cinco anos, deverá fotografar mais de 50 vezes a área coberta pelo Hubble em três décadas. Levantamentos que exigiriam centenas de apontamentos e um tempo proibitivo poderão ser realizados como grandes panoramas repetidos.
A complementaridade é direta. O Hubble pode examinar alvos individuais em luz ultravioleta, visível e infravermelho próximo; o Roman encontra grandes populações e eventos raros para estudos detalhados. Já o Telescópio James Webb observa comprimentos de onda infravermelhos mais longos e alcança objetos muito tênues com um espelho maior. Em termos simples, o Roman faz a varredura ampla; Hubble e Webb podem aplicar o “zoom” científico.
O mapa da energia escura

Um dos objetivos centrais é investigar por que a expansão do Universo está acelerando. “Energia escura” é o nome dado ao componente desconhecido associado a esse comportamento, não uma substância já compreendida. O Roman observará o fenômeno por métodos independentes que podem conferir uns aos outros: a distribuição de galáxias, supernovas do tipo Ia e lentes gravitacionais fracas, pequenas distorções na imagem de galáxias causadas pela matéria ao longo do caminho da luz.
Ao medir centenas de milhões de galáxias e dezenas de milhares de supernovas em diferentes épocas cósmicas, o observatório ajudará a reconstruir como a expansão e a formação de estruturas mudaram ao longo do tempo. A meta é testar se a energia escura se comporta como uma constante, se ela evolui ou se o modelo atual da gravidade precisa de ajustes. Os mesmos dados também devem produzir mapas da matéria escura, invisível aos telescópios, mas detectável por seus efeitos gravitacionais — um tema relacionado à teia cósmica que organiza galáxias.
Exoplanetas por microlentes

O Roman também fará um censo de sistemas planetários usando, principalmente, microlentes gravitacionais. O efeito ocorre quando uma estrela ou planeta passa quase alinhado com uma estrela mais distante. Sua gravidade curva e amplia temporariamente a luz do objeto ao fundo; uma pequena alteração nesse brilho pode denunciar a presença de um planeta que não seria visto diretamente.
O método complementa os trânsitos, responsáveis por grande parte dos exoplanetas já conhecidos. Enquanto o trânsito favorece mundos que cruzam a frente de suas estrelas e costuma encontrar órbitas menores, a microlente alcança planetas mais frios e afastados, análogos aos gigantes do Sistema Solar, corpos com massa próxima à de Marte e até planetas errantes, que vagam sem estrela. Para encontrar esses sinais raros e breves, o Roman acompanhará o brilho de centenas de milhões de estrelas na região central da Via Láctea.
O observatório ainda levará um coronógrafo demonstrador, que usa máscaras e espelhos deformáveis para bloquear o brilho de estrelas e tentar registrar planetas gigantes e discos de poeira ao redor delas. Não se trata ainda de uma câmera capaz de fotografar outra Terra, mas de um teste tecnológico para futuras missões. O Showmetech já mostrou como observações de brilho também permitem que cidadãos ajudem a procurar exoplanetas.
Se o cronograma for mantido, os primeiros meses após o lançamento serão dedicados à viagem, à abertura de componentes e ao comissionamento dos instrumentos. Os resultados científicos virão depois dessa calibração. A promessa mais importante do Roman não é uma imagem isolada, mas a possibilidade de transformar o céu em um conjunto de panoramas profundos e repetidos, capaz de revelar populações e eventos que hoje escapam por falta de tempo de observação.
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Fontes: página oficial da missão Roman, contagem regressiva e dados de lançamento da NASA, atualização de abastecimento e preparação, comparação Roman–Hubble, comparação Roman–Webb, energia escura, exoplanetas e Space.com.