Enchentes repentinas no Nepal podem ter sido causadas por um terremoto de magnitude 4,4 na região nesta quarta-feira (26), com mais de 22 mortos e mais de 400 desaparecidos, segundo o balanço mais recente da polícia local. A enxurrada atingiu o distrito de Rasuwa, na fronteira com o Tibete, destruiu vilarejos e interrompeu estradas, energia e comunicações. Sessenta e três feridos foram resgatados, enquanto autoridades tentam localizar centenas de pessoas.
Segundo o gabinete do primeiro-ministro, 484 turistas permanecem sem contato: 391 estrangeiros e 93 nepaleses. O número não equivale a mortes confirmadas e pode mudar à medida que as comunicações forem restabelecidas e as equipes concluírem as buscas.
Mortes foram registradas em sete distritos ao longo dos rios Bhote Koshi, Trishuli e Narayani. Entre as vítimas há moradores e pessoas que estavam em áreas atingidas rio abaixo. A polícia ainda trabalha na identificação de parte dos corpos.
Além dos turistas, 85 integrantes das forças de segurança e 60 trabalhadores ligados a projetos hidrelétricos continuam sem contato. Funcionários da alfândega e bancários também são procurados. Como as listas podem se sobrepor e ainda estão sendo verificadas, não há um total consolidado de desaparecidos. Veja os vídeos:
Enxurrada destruiu pontes, casas e usinas
A inundação começou por volta das 9h e avançou pelo vale com lama e detritos. Vídeos verificados pela BBC mostram o rio Trishuli subindo rapidamente, arrancando uma ponte e derrubando edifícios em Trishuli Bazaar, cerca de 25 quilômetros a noroeste de Katmandu.
A enchente destruiu 19 pontes transitáveis e danificou cerca de 40 quilômetros de estradas, segundo o gabinete do primeiro-ministro. Projetos hidrelétricos e redes de energia também foram atingidos. A principal ligação rodoviária com Katmandu foi bloqueada, e comunidades às margens dos rios Bhote Koshi, Trishuli e Narayani receberam alertas para deixar áreas de risco.
Autoridades nepalesas trabalham com a hipótese preliminar de que o tremor tenha provocado uma avalanche de gelo e rocha, bloqueado temporariamente um curso d’água e liberado uma onda de água e sedimentos. A proximidade entre os eventos, porém, não comprova uma relação causal.
Especialistas do International Centre for Integrated Mountain Development (ICIMOD) também apontam, de forma preliminar, para uma avalanche que teria represado o rio Lhende Khola antes do rompimento. Nepal e China investigam a origem exata da catástrofe.
A região do Himalaia é vulnerável a enchentes provocadas por avalanches, deslizamentos e rompimentos de lagos glaciais. Em julho de 2025, uma inundação em Rasuwa destruiu a ponte da Amizade, entre Nepal e China, e deixou mortos e desaparecidos.
Resgate continua em áreas isoladas
Exército, polícia, equipes médicas e voluntários participam da operação. Helicópteros foram mobilizados, mas ventos fortes e estradas destruídas dificultam o acesso a algumas comunidades. O governo nepalês pediu apoio à Índia e à China e determinou atendimento gratuito aos feridos.
As autoridades recomendam que moradores permaneçam longe das margens dos rios e sigam os avisos de evacuação. Este texto será atualizado conforme novos balanços oficiais forem divulgados.
Fontes: Onlinekhabar; Nepal Tourism Board via Onlinekhabar; The Kathmandu Post; BBC; USGS; Associated Press via ClickOnDetroit; CBN.