Vírus da gripe é usado no tratamento do câncer de bexiga

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Estudo realizado no Reino Unido usou uma variante comum do vírus da gripe no tratamento do câncer de bexiga, apresentando melhorias em apenas uma semana

O tratamento do câncer é uma das tarefas mais desafiadoras para os cientistas, devido à versatilidade da doença. Mesmo assim, a ciência tem se mostrado promissora criando alternativas mais eficazes e menos dolorosas para os pacientes. Como é o caso do estudo realizado na University of Surrey, no Reino Unido, que usou o vírus da gripe no tratamento do câncer de bexiga.

Atualmente, a quimioterapia e radioterapia são os tratamentos mais comuns – não só do câncer de bexiga –, mas são muito agressivos e possuem efeitos colaterais significativos. Além disso, os pacientes curados com técnicas tradicionais precisam voltar constantemente ao médico para evitar recorrências.

Vírus da gripe no tratamento do câncer

O estudo contou com 15 pacientes, nos quais foram injetados a variante coxsackievirus (CVA21), por meio de um cateter. Esse procedimento foi realizado uma semana antes da cirurgia para remoção dos tumores. Após a remoção, os médicos analisaram tecidos onde o vírus havia matado as células cancerígenas na bexiga. As células saudáveis continuaram intactas, sem efeitos colaterais.

Foi observado também que a amostra injetada conseguiu se reproduzir e infectar outras células da doença. O líder do projeto, professor Hardev Pandha, disse que o feito do vírus é especial. Em um dos pacientes o câncer simplesmente desapareceu, enquanto os outros 14 tinham evidências de que as células cancerígenas haviam morrido.

Vírus da gripe no tratamento do câncer
O câncer de bexiga pode ser confundido com uma infecção urinária, pois os sintomas são parecidos

Uma das maiores dificuldades no tratamento do câncer é que o sistema imunológico do corpo não o vê como uma ameaça até ser tarde demais. O que o vírus fez foi justamente alertar as defesas do corpo para que ele reaja à doença. Esse tratamento é conhecido como “imunoterapia”. Os meios tradicionais, quimioterapia e radioterapia, não conseguem distinguir as células saudáveis das doentes, por isso apresenta maiores efeitos colaterais.

Os membros do estudo dizem que esse método já foi usado no câncer de pele, mas essa é a primeira vez que foi aprovado para um estudo clínico completo. Mesmo que ainda esteja no início, ele pode se tornar uma opção mais viável no tratamento de outros tipos da doença, reduzindo de maneira drástica os efeitos adversos.

Câncer de bexiga no Brasil

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de bexiga ocupa a 9ª posição no ranking de incidência mundial. No Brasil, são estimados quase 10 mil novos casos anualmente, sendo homens os mais afetados, ocupando quase 70%. Assim como em outros tipos, o tabagismo é um dos principais fatores que aumentam as chances de desenvolver a doença. Os cânceres de pulmão, mama e intestino lideram o ranking de incidência no mundo.

Como a pesquisa ainda está no início, pode levar algum tempo até que esse novo tratamento do câncer de bexiga se torne comum em outros países.

Fonte: BBC UK

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