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A Copa do Mundo 2026 já é projetada como o maior evento de apostas esportivas da história, com estimativas que apontam para uma movimentação global acima de US$ 50 bilhões, podendo se aproximar de US$ 60 bilhões em cenários mais otimistas, segundo análises de mercado. O valor representa um salto de mais de 40% em relação à Copa do Catar de 2022, quando o setor movimentou cerca de US$ 35 bilhões.
Copa de 2026 pode quebrar todos os recordes de apostas
O crescimento está diretamente ligado ao novo formato do torneio, que conta com 48 seleções e 104 partidas, cerca de 40 jogos a mais do que na edição anterior. Esse aumento amplia significativamente o número de oportunidades de apostas ao longo de quase seis semanas de competição, tornando o evento mais “ativo” para o mercado em comparação com qualquer edição anterior da Copa.
No Brasil, por exemplo, estimativas apontam que o público pode movimentar até R$ 31 bilhões apenas durante o torneio, reforçando o peso do país dentro desse ecossistema. Outro fator que ajuda a explicar o crescimento recorde é o nível de engajamento do evento. Na última edição (2022), a final da Copa chegou a reunir mais de 1,5 bilhão de espectadores, enquanto a competição inteira pode alcançar até 5 bilhões de pessoas. Esse alcance supera com folga eventos como o Super Bowl, ampliando o potencial de conversão de audiência em apostas e engajamento digital.
Uma demonstração do interesse global em apostas relacionadas ao Mundial está no crescimento dos chamados mercados de previsão. Na plataforma Polymarket, o mercado voltado para prever o campeão da Copa do Mundo de 2026 já movimentou cerca de US$ 1,8 bilhão, tornando-se um dos maiores da história da plataforma.
CazéTV no centro da discussão sobre publicidade de apostas
A presença de publicidade de casas de apostas (bets) já se consolidou como parte das transmissões esportivas no Brasil, presente em diferentes plataformas como TV aberta, TV por assinatura, estádios e streaming digital. Emissoras como Globo, ESPN e SBT já operam dentro desse modelo, com inserções publicitárias tradicionais, patrocínios e ativações comerciais ao longo das transmissões de futebol, acompanhando o crescimento do setor após a regulamentação das apostas esportivas no país.
Dentro desse cenário, a discussão recente passou a se concentrar na forma como essas publicidades são inseridas no conteúdo ao vivo. O ponto central do debate não é apenas a presença das marcas, mas o nível de integração entre publicidade e narrativa esportiva, especialmente em transmissões digitais, onde a dinâmica de interação com o público é mais direta e contínua do que nos modelos tradicionais de televisão.
A CazéTV, detentora dos direitos de transmissão de todos os jogos da Copa do Mundo no YouTube, passou a ser alvo de críticas de parte do público nas redes sociais devido ao volume e à frequência de ações promocionais ligadas a casas de apostas durante as transmissões. Em meio à repercussão, o canal também foi citado em análises da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça.
De acordo com a Senacon, foram identificados diferentes formatos de ativação publicitária durante os jogos. Em alguns trechos analisados, narradores e comentaristas aparecem associados à comunicação dessas campanhas, o que levanta questionamentos sobre a separação entre o conteúdo esportivo e a publicidade exibida durante a transmissão.
A análise do órgão também considera o enquadramento dessas práticas dentro das regras previstas na Lei 14.790/2023, no Código de Defesa do Consumidor (CDC) e em normas da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Entre os pontos observados estão a proibição de comunicações que sugiram ganho fácil, incentivem apostas imediatas ou utilizem elementos que possam reforçar práticas excessivas, além da necessidade de identificação clara entre conteúdo editorial e publicitário em transmissões de grande audiência.
Ação de Erika Hilton e investigação do Ministério Público Federal
Assim, a discussão sobre publicidade de bets em transmissões esportivas ganhou duas frentes nos últimos dias: uma ação parlamentar e uma apuração conduzida pelo governo federal. Os dois casos envolvem a forma como apostas estão sendo comunicadas durante jogos de grande audiência.
No campo legislativo, a deputada federal Erika Hilton acionou o Ministério Público Federal (MPF) pedindo a proibição de publicidade de apostas e odds feitas por comentaristas esportivos durante transmissões ao vivo. O pedido questiona o uso da posição de analistas como possível meio de incentivo indireto a apostas.
A parlamentar também levanta preocupação com o uso de linguagem associada a probabilidades e resultados durante jogos, defendendo que esse tipo de comunicação pode ultrapassar os limites entre análise esportiva e publicidade, especialmente em transmissões com grande alcance de público.
É inaceitável um comentarista usar a sua posição de “especialista” pra induzir os telespectadores a apostarem.
Mais inaceitável ainda é eles sugerirem apostas em resultados improváveis como uma forma de ganhar dinheiro fácil, dando a entender que o resultado é provável.
Isso ultrapassa todos os limites. Toda forma de publicidade precisa ser devidamente sinalizada, e a publicidade de bets, que por mim sequer existiria, precisa obedecer a regras específicas e precisa do mínimo de decência.
Bet não é esporte. É jogo de azar, é vício, é empobrecimento, é endividamento e é uma causa de SUICÍD*O.
A Deputada Federal Erika Hilton em seu perfil no X.
Paralelamente, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, abriu uma investigação preliminar sobre a CazéTV para apurar a veiculação de publicidade de bets durante a Copa do Mundo. A fase preliminar é a etapa inicial antes de eventual processo administrativo sancionador.
Segundo o órgão, a apuração se baseia em registros de transmissões que mostram ações promocionais de casas de apostas integradas ao conteúdo ao vivo, incluindo uso de QR Codes, ofertas ligadas a partidas e participação de narradores em mensagens promocionais. A Senacon avalia possíveis violações relacionadas a publicidade abusiva e falta de separação entre conteúdo editorial e comercial.
Qual é a sua opinião sobre apostas esportivas? Se incomoda com propagandas de bets durante transmissões? Conta pra gente nos comentários abaixo.
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Fontes: CNBC e perfil da Deputada Federal Erika Hilton no X.
Revisado por Tiago Rodrigues em 25/06/2026
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