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ENTREVISTA: Enrique Lores comenta os novos rumos da HP

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ENTREVISTA: Enrique Lores comenta os novos rumos da HP

O presidente da divisão de Soluções de Impressão da HP Inc. comenta sobre o mercado de impressões e as mais novas tecnologias que estão sendo integradas às impressoras da empresa

Enrique Lores HP Inc

Enrique Lores, responsável pelo sucesso de uma das divisões empresariais mais complexas da história

Durante evento realizado em Palo Alto*, na Califórnia, o Showmetech entrevistou o presidente da divisão de Soluções de Impressão da HP Inc., Enrique Lores, responsável por navegar por uma das mais complexas divisões de negócios da história, que separou a Hewlett-Packard Company em duas novas companhias “Fortune 100”, a HP Inc. e a Hewlett Packard Enterprise.

O executivo comentou sobre os novos rumos da empresa, filosofia de negócios e as novas tecnologias que estão sendo usadas para manter a relevância das impressoras no cenário mundial. Veja a seguir:

Entrevista com Enrique Lores

A HP Inc. oferece modelos diferenciados de negócios. O tradicional seria a compra de impressoras e cartuchos da empresa, mas também é possível contratar os serviços de impressão, sem tornar-se proprietário das máquinas. Quanto cada modelo representa para o total de vendas da HP?

Enrique: Do negócio total de impressões, entre 15% e 20% é representado pela venda de serviços e 75% e 80% fica com a venda de produtos. Mas, em 3 anos, esperamos que a venda de serviços represente 30% a 40% do total da empresa.

Existem diferenças entre a forma de vender produtos e serviços no mercado sul-americano, em comparação com com o que se vê nos consumidores dos Estados Unidos?

Enrique: Sim, essencialmente, os consumidores sul-americanos são mais preocupados com os custos de reposição de cartuchos. Para os norte-americanos, o maior impacto está no valor da impressora. Por isso, foram desenhados diferentes modelos de negócio para cada um destes mercados, sendo que na América do Sul a HP foca em reduzir o “custo por cópia”. Um exemplo disso é a linha “Big Ink Tank” onde são vendidas impressoras com tanques de tinta que podem durar até um ano. Este tipo de solução não é aplicada nos Estados Unidos e valoriza usuários que não querem ter preocupações com reposições recorrentes.

Qual é o papel das impressões em um mundo que caminha para a digitalização total de documentos? A HP se preocupa com essa redução da necessidade de se imprimir?

Enrique: Eu me juntei à companhia há 28 anos. E, já naquela época, falávamos do “escritório em papel”. Nós acompanhamos os números de utilização de papel e impressões no mundo e não há aumento ou redução significativa nos últimos 10 anos. Funcionários estão imprimindo menos documentos, mas existem mais funcionários em mais empresas hoje do que há 10 anos, e uma mudança está compensando a outra. No futuro próximo ainda visualizamos crescimento na venda de impressoras, e isso se dá pelo fato de que apenas 20% das páginas são impressas em impressoras próprias, enquanto o restante ainda depende de copiadoras. E é por isso que estamos focados em estender o nosso alcance e trazermos essas páginas para as nossas impressoras.

Os documentos inteligentes são então uma ameaça? A praticidade de um arquivo em formato PDF supera o meio impresso?

Enrique: Em termos de fazer com que as impressões sejam cada vez menos analógicas e mais digitais e inteligentes, estamos buscando transformar o papel em uma espécie de interface com o mundo digital. Nós podemos fazer isso e estamos experimentando com os mercados consumidor, corporativo e gráfico. Por exemplo, podemos imprimir caixas para que contenham códigos invisíveis de rastreamento, embalagens com desenhos únicos para cada consumidor e até documentos com identificações para que seja possível determinar sua origem. Muitas destas tecnologias já existem, então a dificuldade está em torná-las práticas.

Falando em novas tecnologias, quais as inovações pensadas pela HP para o futuro das impressões?

Enrique: Há muito o que se pensar e desenvolver. A companhia já iniciou a criação de uma cadeia dedicada ao mercado de impressoras 3D, e já temos tenologia para fazer com que fotos impressas, quando visualizadas por uma câmera de smartphone, tomem vida e reproduzam vídeos ou imagens em movimento.

Impressoras de bolso, integração com Google Home e Cortana são algumas das novidades da HP Inc.

Impressoras de bolso, integração com Google Home e Cortana são algumas das novidades da HP Inc.

Trata-se de Realidade Aumentada aplicada à fotografia impressa, certo?

Enrique: Isso mesmo. Você pode, por exemplo, imprimir uma foto através do HP Sprocket, demonstrado no evento de ontem (14), e incorporar códigos com vídeos à uma fotografia, para que sejam visualizados pela câmera do smartphone com uma aplicação de Realidade Aumentada, resultado do papel se tornar “inteligente”. Nosso foco também está em remover as tradicionais dificuldades do ato de imprimir. Neste sentido, estamos desenvolvendo parcerias com o Google e a Microsoft para que seja possível demandar aos assistentes pessoais (Google Home e Cortana, respectivamente) que imprimam uma imagem que você está visualizando em sua TV, por exemplo.

Você mencionou Google e Microsoft. A Amazon também não faz parte destas conversas? E quanto à dificuldade de integrar assistentes virtuais às impressoras?

Enrique: No momento, as integrações estão sendo feitas apenas com o Google Assistant e a assistente Cortana. E, se será fácil para o consumidor instalar e fazer com que os aparelhos conversem entre si, é importante dizer: se não for fácil, não será usado. Por isso, estamos trabalhando em tornar esta experiência simples e automática.

Lores também comentou sobre os desafios da HP Inc., confirmando que “o objetivo é fazer com que o mercado de impressões cresça novamente”, algo que requer um compromisso com a inovação. Ele se juntou à companhia em 1989 como um engenheiro de pesquisa e desenvolvimento e hoje lidera um negócio estimado em 20 bilhões de dólares.

*O autor viajou à convite da empresa.

Bruno A. Martinez é advogado, bancário e criador do Showmetech. E sim, todo mundo pergunta por que ele não estudou algum curso relacionado com tecnologia.

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