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Entenda porque o FBI confundiu RPG com terrorismo nos anos 1990

Documentos do FBI mostram investigação de jovens que só queriam jogar Dungeons & Dragons, mas foram confundidos com terroristas

Jogos de RPG como Dungeons & Dragons ficaram famosos nos anos 1980, mas mesmo 10 anos depois houve quem confundisse uma reunião inofensiva de jovens nerds com grupos terroristas. Um documento do FBI surgido mais de 20 anos depois revela uma investigação dos anos 1990 que chegou a considerar jogadores de RPG “armados e perigosos”. O caso faria rir não fosse a relação com um dos terroristas mais famosos do EUA, o Unabomber.

A descrição dos documentos reunidos pelo FBI descreve um grupo de pessoas de São Francisco potencialmente perigosas, que se intitulariam os “Dungeons & Dragons”.

Anexo permanentemente está uma lista de jogadores e jogadores periféricos envolvidos em um grupo local de indivíduos comumente chamado de “Os Dungeons and Dragons.

Parece ter sido o começo de um período de alerta contra terrorismo que se intensificou a partir de 11/09/2001. Naquela época, já era levado suficientemente a sério. O caso do Unabomber ficou famoso por ter sido orquestrado praticamente por uma só pessoa. O terrorista americano Ted Kaczynski era considerado uma espécie de gênio.

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Ted Kaczynski, o Unabomber, pegou prisão perpétua

Kaczynski foi um ativista contra o desenvolvimento de máquinas inteligentes, e brigava pela soberania humana supostamente ameaçada pela tecnologia. Ele foi condenado pelo envolvimento em uma série de atentados a bomba contra profissionais ligados ao ramo da tecnologia. Ao todo, 23 pessoas morreram ou ficaram feridas por conta da ação do terrorista, entre cientistas e engenheiros.

Ele foi condenado a prisão perpétua. Mas, antes disso, convenceu os jornais New York Times e The Washington Post a publicarem um manifesto.

RPG e terrorismo

Hoje todo mundo sabe a completa falta de relação entre RPG e atividade criminosa. No entanto, os EUA dos anos 1990 já era alarmado o suficiente para pensar o contrário. Agentes do FBI chegaram a interrogar um funcionário da TSR, empresa responsável por Dungeons & Dragons na época. Ele foi obrigado a explicar que se tratava apenas de um jogo.

Um dos documentos disponibilizados online décadas depois das investigações mostra que a suspeita do grupo de D&D surgiu de uma denúncia. O FBI teria interrogado uma pessoa com identidade não divulgada sobre os ataques do Unabomber. E essa pessoa teria levantado suspeitas sobre um grupo de jovens “acima do peso e altamente inteligentes”.

Veja alguns trechos divulgados pelo equivalente americano à Polícia Federal brasileira:

 

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Um dos documentos é especialmente cheio de censuras, então só partes da história são conhecidas. O curioso é que o relatório não mostra uma conclusão do caso, o que significa que, até hoje, alguém no FBI ainda possa achar que um grupo de D&D apresenta algum perigo.

É jornalista e comunicador digital por formação, gosta de tecnologia desde que se entende por gente e escreve sobre isso há bastante tempo. Como um bom nerd, gosta de séries e ficção científica, e tenta relacionar tudo isso com estudos sobre comunicação.

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