Review: Control – O controle de tudo em suas mãos

Control, novo game da Remedy Entertainment, se inspira nos seus predecessores e encanta com jogabilidade imersiva e trilha sonora surpreendente

Remedy Entertainment, a renomada empresa de Alan Wake e o mais recente Quantum Break, publicou mais um game extremamente carismático, com uma direção de arte fantástica e várias referências culturais e cinematográficas: Control. O jogo é um dos grandes lançamentos do segundo semestre de 2019 e traz a mesma fórmula de sucesso que fez a Remedy ser tão consolidada quanto é atualmente, com uma história cativante, personagens envolventes e uma jogatina que dá certo, apesar da mesmice.

Recebemos uma cópia de Control para testes e, após dois dias e jogatina intensa, você confere o nosso review completo.

O que tem atrás do poster na parede?

Foto mostra Jesse Faden, protagonista de Control, o mais novo jogo da Remedy.
Jesse Faden, a nova diretora do Bureau de Controle dos Estados Unidos.

Em Control, você controla Jesse Faden, a nova diretora substituta do Departamento Federal de Controle do Governo, ou como é chamado no game, apenas Bureau. Jesse trabalha como uma agente infiltrada por 17 anos procurando seu irmão chamado Dylan, que após um incidente em sua terra natal Ordinary, foram expostos a um incidente que fez com que duas entidades entrassem em cada um dos dois, uma chamada Polaris e outra de Hiss.

Jesse, ao entrar pela primeira vez no Bureau, descobre que o diretor atual acabara de se matar com uma arma que se chama Arma de Serviço, denominada no game como um Objeto de Poder, na qual uma entidade viva se apodera de um objeto e se torna um só. Após notar que a Arma de Serviço clamava por Jesse, ela descobre que a entidade chamada Hiss toma o controle de quase todos os funcionários do Bureau, funcionários que se tornam hostis e começam a atacar Jesse. E assim o game começa.

Level Design e jogabilidade perfeitos, porém mal aplicados

Foto mostra um dos ambientes distorcidos presentes em Control, com paredes que se movem, locais que se mexem, guardando um segredo após o outro.
Estruturas distópicas, ambientes mal estruturados porém extremamente misteriosos compõem Control.

Control se inspira bastante em seus antecessores para a aplicação de seu desenvolvimento e ambientação, pegando claras referências a Alan Wake, Quantum Break e até mesmo de obras como Stranger Things e Mr. Robot, porém tudo isso parece que se torna tudo uma grande bagunça no produto final.

Um dos objetivos da história do game é que ele realmente te mantenha no escuro sobre os acontecimentos do evento que está ocorrendo e também nos fatos envolvidos na história, mas tudo é tão “jogado” e apenas aceitado pela protagonista que, ao decorrer do game, dúvidas e mais dúvidas se acumulam e apenas poucas respostas são dadas para o jogador – e isso se ele parar, ler todos os arquivos encontrados pelo ambiente, ouvir cada um dos arquivos de texto e prestar bastante atenção em cada diálogo do game.

Foto mostra a protagonista do game, Jesse, usando seus poderes telepáticos para levitar objetos e atacar inimigos.
A Telecinese não é a única habilidade de Jesse, a mesma também consegue voar, se proteger e muito mais.

Sua gameplay. embora seja mecanicamente perfeita, é constantemente provada ser um dos pontos mais prejudiciais e criticados do game. O jogo te dá mecânicas interessantes como a de flanquear o inimigo ou utilizar o cenário ao seu favor, como uma opção de cover atrás de alguns objetos, porém se torna impossível de se fazer assim que você percebe que cada inimigo no mapa tem sua inteligência artificial definida pra ir para cima do jogador, independentemente onde ele estiver.

Situações com inimigos Kamikaze são o mínimo dos seus problemas assim que você percebe o quão desbalanceado o combate é. Vários inimigos em todos os cantos do mapa atacando simultaneamente sem nenhum tipo de trégua e utilizando armas que matam a protagonista quase de instantâneo. Isso sem nem mencionar o demorado reloading que o game necessita após cada morte. Chega a ser frustrante alguns momentos em que você tem que morrer 4, 7, 10 vezes em um mapa apenas para decorar e estudar como os inimigos funcionam. Ir cegamente em um novo ambiente e morte na certa.

Foto mostra uma de várias explosões presentes no game, um dos atrativos do mesmo.
Explosões e chamas são um dos atrativos do game. Graças a sua tecnologia de Ray Tracing, as mesmas são de tirar o fôlego do jogador.

O Level Design e a posição dos inimigos também não ajuda de forma alguma o jogador. Com ambientes extremamente escuros e posicionando inimigos em lugares altos e praticamente inalcançáveis em alguns momentos e sem nenhum tipo de ajuda da interface, como indicador de dano ou até um mini-mapa, o jogador continuamente vaga pelo cenário sem poder progredir para o próximo ambiente até que todos os inimigos sejam mortos, fazendo um tipo de jogo de pique-esconde com um inimigo que você não sabe onde está e que continua atirando em você.

As habilidades à disposição de Jesse auxiliam bastante o jogador, como por exemplo a de Telecinesia que dá a possibilidade de arremessar objetos espalhados pelo mapa como também partes do cenário, pedaços de pedras do chão e até mesmo os próprios inimigos. Porém, o resto de seu arsenal se torna cada vez mais fraco e indispensável ao decorrer do game. Habilidades como a de Voar, por exemplo, apenas te deixam mais exposto a ataques, fazendo com que você morra com mais frequência.

Perfeitamente orquestrado apesar de seus problemas

Foto mostra o QH principal do game, local onde Jesse, a protagonista, faz seus planejamentos de onde irá explorar logo em seguida.
Ponto de Controle do game, o QH principal onde a diretora faz seu planejamento e estuda onde deverá explorar.

Algo que é facilmente notado é a maravilhosa direção de arte e escolha para cores presente no game, com uma paleta sombria e tons de sangue em uma tela branca e também claro, o movimento Bauhaus presente em todos os ambientes e estruturas do game. Control também conta com uma história cativante e extremamente interessante, com fatos que se espelham constantemente na nossa realidade e repetindo sempre a pergunta mais importante e que é feita a todo momento: Você está realmente no controle?

Outro ponto forte de Control é algo já recorrente nos jogos publicados pela Remedy: uma gameplay extremamente fluida, com uma movimentação bem detalhada seja em combate com inimigos ou até mesmo em suas cutscenes, que são renderizadas no próprio motor gráfico do jogo, enriquecendo os detalhes do ambiente e elevando a expressão facial dos personagens a um novo patamar.

Foto mostra a tecnologia Ray Tracing, a nova mudança em termos gráficos para o mundo dos jogos.
Ray Tracing é o futuro, e uma pequena prova do que vem por aí é Control

Control também traz o inovador Ray Tracing, uma nova tecnologia capaz de entregar a melhor experiência em questão de gráfica que o mundo dos jogos já viu, porém nos consoles essa experiência não tenha sido recebida de forma polida. Foram reportados problemas de quedas de frames constantes durante a gameplay em cenários muito detalhados. Apesar dos problemas, Control consegue entregar uma experiência sólida, com uma gameplay extremamente divertida. Além disso, a empresa prometeu melhorar a qualidade do jogo nos consoles, mas não deu uma data específica.

Além de seu maravilhoso cenário, a trilha sonora do game não deixa a desejar. Escolhendo tons mais sombrios para se adequar à atmosfera misteriosa e ao mesmo tempo macabra que o game proporciona, ao mesmo tempo em que oferece batidas frenéticas com heavy metal assim que você entra em momentos de ação ou de combate. Control não só é um agrado aos olhos, mas também aos ouvidos, fazendo com o que o jogador se aprofunde cada vez mais a cada minuto passado dentro do game.

Foto mostra um dos pontos principais do mapa de Control, onde inimigos se concentram em grande parte.
Um dos locais principais presentes na Old House (Casa Velha) no Bureau de Control. Aqui é um dos principais focos do Ruido.

Control é apenas o começo

Apesar de seus problemas, Control é uma experiência indispensável para todos os amantes de jogos. Com um maravilhoso level design e ambientes lotados de detalhes graças a nova tecnologia de Ray Tracing, faz com que cada canto que o jogador olha nunca é o mesmo. Com personagens extremamente cativantes, uma progressão tranquila pelo ambiente por mais confuso que seja, uma trilha sonora memorável e uma história marcante com um desfecho inesquecível.

Na foto mostra Jesse, utilizando seu poder de levitação de objetos para realizar um puzzle do game.
Jesse utiliza suas habilidades não somente para combate, mas como também para a resolução de puzzles, também um dos pontos fortes do game.

Control conta com 11 horas em sua campanha principal e 23 horas se o jogador busca fazer tudo o que está no game. O jogo já está disponível e foi publicado do dia 27 de Agosto de 2019 para Playstation 4, Xbox One e PC.

  • Nota Final - 7.2/10
    7.2/10
7.2/10

Considerações Finais

Control é de longe um dos melhores games da Remedy já publicado desde Alan Wake, chegando para revolucionar não só o mercado como também a industria de jogos. Com bastante conteúdo e entretenimento, Control é facilmente um dos melhores jogos desse ano de 2019. O game talvez precise de 1 ou 2 patches de melhorias para ser 100% jogável, porém apesar de seus problemas, nada atrapalha a diversão e o entretenimento que o game facilmente entrega, sem tornando um game perfeito pra se jogar sozinho e principalmente com os amigos.

Pros

  • História extremamente interessante e misteriosa, que intriga e cativa
  • Uma ótima dublagem, com vozes memoráveis
  • Localizado em PT-BR
  • Uma maravilhosa trilha sonora, que remetem bastante o ambiente macabro e misterioso do game
  • Bastante conteúdo post-game (após ser finalizado)
  • Side quests interessantes e divertidas

Cons

  • Loadings pós mortes chegam a demorar 2 minutos
  • Problemas de rendering de texturas frequentes
  • Motion Blur que não pode ser desligado ou suavizado
  • Quedas de frames constantes
  • Falta de checkpoints durante a progressão do game
  • Uma história linear, sem muitas escolhas
  • Uma interface pouco intuitiva, sem mini-mapa ou objetivos na tela

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