REVIEW: It Takes Two, um jogo cooperativo que entretém do começo ao fim

Review: it takes two, um jogo cooperativo que entretém do começo ao fim. Pai e mãe se transformam em bonecos como forma de se reconciliar. A jornada imprevisível de it takes two levará você e um amigo para locais cômicos e estranhamente familiares
Pai e mãe se transformam em bonecos como forma de se reconciliar. A jornada imprevisível de It Takes Two levará você e um amigo para locais cômicos e estranhamente familiares

“Multiplayer” foi um dos gêneros mais jogados (e assistidos) durante o último ano. Em abril de 2020, Counter-Strike: Global Offensive, jogo de tiro em primeira pessoa que é um marco dos e-sports, bateu recordes de jogadores simultâneos. Among Us, competitivo mais casual, foi um dos mais comentados do ano passado por sua implementação de cross-plataforma e jogabilidade intuitiva.

Porém, foram-se meses até termos um jogo “amigável”, onde cooperação e entretenimento fossem equilibrados entre jogadores mais experientes e os de primeira viagem. Por sorte, a indústria gamer tem a bênção da mente insanamente criativa de Josef Fares, o mesmo de Brothers: A Tale of Two Sons e A Way Out, para a concepção do engenhoso It Takes Two: um game multiplayer que se reinventa a cada nível.

Lançado na última sexta-feira (26) para PC e geração passada/atual de PlayStation e Xbox, It Takes Two exige que haja dois jogadores simultâneos (local ou online) para contemplar uma belíssima história sobre relacionamentos. O melhor de tudo? Só uma pessoa precisa pagar pelo game. Com o auxílio de um experiente – e igualmente paciente – amigo de longa data, pude testar este jogo e te conto tudo em detalhes neste review.

Lembrando que todas as imagens abaixo foram feitas por mim no Xbox Series X, com uma cópia do jogo cedida pela EA.

História

Um casal está em uma crise de relacionamento quando as mágicas lágrimas da filha fazem-nos “possuir” bonecos feitos à mão. Com a assistência de um livro (com sotaque latino caliente), a chama da paixão precisa ser reacesa e, para isso acontecer, vocês devem partir em uma jornada em miniatura enquanto aprendem a lidar um com o outro.

A introdução de It Takes Two não é feita para ser levada tão a sério, com o alívio cômico de toda a história sendo o próprio livro conselheiro, o Dr. Hakim. Ao longo de 7 capítulos, os protagonistas Cody e May atravessam ambientes diversos, todos na proximidade da própria residência. Mesmo com o humor estando em primeiro plano, as lições de Dr. Hakim e as situações vividas pelos pais da garotinha podem trazer reflexões aos jogadores.

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Sem entregar situações específicas para o caso de você, caro leitor, querer jogar It Takes Two, digo somente que os níveis são inesquecíveis. Basta olhar as capturas de tela deste review para tentar encontrar uma narrativa bastante distinta. Você passa por um jardim, uma oficina, uma balada de música eletrônica, uma toca de toupeiras, um circo e até um castelo.

It Takes Two é um game de 12-14 horas, com um tempo que varia de acordo com o estilo de jogo. Assistindo a todas as cutscenes, o tempo da minha jogatina (em múltiplas ligações pelo Discord) bateu um acumulado de 12 horas. Se você e seu amigo querem encontrar todos os minigames e fazer todas as conquistas, estamos falando de algo em torno de 16 horas. Gamers casuais podem demorar a pegar certas mecânicas, caso não estejam familiarizados, levando mais tempo para chegar à conclusão do jogo.

Jogabilidade e multiplayer

Screenshot de it takes two
It Takes Two ou Diablo?!

Tendo jogado tanto Brothers como A Way Out, eu pensava saber o que esperar do game em termos de ritmo e jogabilidade. Porém, eu não poderia estar mais equivocado: em It Takes Two, você e seu companheiro nunca fazem a mesma coisa ao mesmo tempo – e nunca repetem a mesma mecânica em outro nível. Para facilitar, não importa qual personagem você escolha, você poderá ver ambas as perspectivas simultaneamente – e uma tela única em cutscenes ou momentos especiais.

Uma qualidade que ele pega emprestado de A Way Out é a aquisição do jogo, pois basta um jogador fazer a compra (digital ou física) e o outro só precisa fazer o download da cópia do Passe de Amigo na respectiva plataforma/loja online. Além disso, por estarmos em um período de transição entre gerações, fiquei contente em saber que ele era cross-geração. A única questão que não faz sentido é privá-lo de ser também cross-plataforma, mas a escolha é até compreensível quando consideramos prompts e ações específicas – que pode confundir quem estiver no PC, PlayStation ou Xbox.

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Trilhos que guiam os personagens (e a narrativa) estão por todo lado.

Além da coordenação e tempo para cumprir as tarefas necessárias, a comunicação entre os jogadores é essencial. Em vários momentos o jogo coloca ações complementares entre Cody e May. Por exemplo, enquanto um deles tem um martelo, o outro tem os pregos. Em outro cenário, cada pessoa possui um dos lados de um ímã, podendo interagir com partes específicas do ambiente, com o objetivo de auxiliar a progressão do amigo até o fim da fase.

Tal qual a variação complementar entre jogadores, ambos também possuem momentos de destaque com habilidades/poderes únicos. Muito do que temos em It Takes Two é retirado diretamente de dezenas de outros jogos, criando uma jogabilidade familiar (mesmo que inconsciente). Botões coloridos em sequência, alavancas que só funcionam em dupla, aplicação de peso em uma gangorra e deslizar entre trilhos de trem são alguns exemplos. Uma boa distração entre níveis são os minigames, jogos competitivos que podem ser descobertos em seções da história. Há minigames como xadrez, corrida de lesmas, autorama, cabo de guerra e tiro ao alvo.

It takes two
Elementos de terror são um gatilho terrível para quem conheceu este peixe em Procurando Nemo.

Como resultado da variável jogabilidade, pode-se colocar um assunto em pauta. Afinal, It Takes Two é inconsistente? Creio que há duas formas de analisar as mudanças e inovações do game: uma delas, claro, a falta de consistência de jogabilidade; a outra, sendo esta uma fórmula “anti-tédio”.

Em um jogo de mundo aberto você raramente irá se sentir entediado, pois todo o ritmo costuma ser ditado por você. Quem gosta de explorar o mapa fará isso primeiro, quem prefere ir atrás de colecionáveis colocará isso como prioridade e aqueles que só se importam com a lore do game vão querer prosseguir com a história quanto antes. Os títulos de aventura mais recentes, como as franquias Uncharted e Tomb Raider, trazem grandes seções de mundo “semi-aberto”, o que dá fôlego ao jogo para ter uma duração maior.

Agora, tratando de um jogo quase 100% linear, com ressalva das seções de minigames e áreas maiores para resolver puzzles, It Takes Two levar uma dezena de horas para ser concluído é quase sinônimo de prova de amizade. Tendo em mente que grande parte dos jogadores optarão pelo cooperativo online, por mais que a fórmula de gameplay seja inovada praticamente a cada 5 minutos, a desistência tende a falar mais alto. Recomendo reservar dois ou três dias com um amigo, caso opte por finalizar o game cedo, para evitar que a mudança frenética de estilo de jogo não chegue ao ponto de saturar.

Visual e áudio

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Sem exceções ou exageros, todos os níveis de It Takes Two tiveram pelo menos 3 momentos que me fizeram perder o fôlego. Dou destaque especial para o último, o sótão, que é um deleite audiovisual por conta própria. O game está em constante mudança de mapas em miniatura, justificando o casamento (com perdão do trocadilho) entre gameplay e visual para culminar em dezenas de momentos inocentes e divertidos.

Quem assistiu às últimas animações da Disney vai compreender a beleza deste jogo. Creio que o comparativo mais palpável que eu possa fazer é com Toy Story 4 que, mesmo com uma narrativa questionável, tem a animação mais ultrarrealista da Pixar até hoje. Por estarmos também em um ambiente de brinquedos na maior parte do jogo, as superfícies metálicas, de madeira ou plástico de It Takes Two dão a impressão de que basta esticar as mãos para interagir com estas texturas.

Circo em it takes two
A seção do circo tem iluminação fantástica e puzzles agradáveis!

A iluminação é outro destaque merecido, pois acertar com tanta consistência em ambientes variados não é uma tarefa fácil. A direção artística deste jogo é digna de prêmios. Você tem o mesmo tratamento dado a uma sala de instrumentos musicais e a um circo que mais parece o sonho de uma criança. As texturas realistas não chegam a “cansar”, pois cada paleta de cores é renovada ao transitar para uma nova seção do game. A adaptação de armas e interações do padrão vermelho (Cody) e azul (May) facilita quem não quer pensar muito em qual personagem está controlando.

Certos temas e sequências do jogo, porém, têm uma abordagem até sombria se não fosse pelo visual. Há um desmembramento de um bicho de pelúcia que, por sorte, não é levado a sério – e o visual carrega uma enorme responsabilidade. A única parte do jogo onde fui desprendido da imersão foi com a simulação de líquidos, em específico com um dos chefões. A água parece ter vindo de um jogo da década retrasada (anos 2000), mesmo estando no Series X. O estranho é que as piscinas de bolinhas até conseguem se parecer com água real, então o contraste entre ambas desaponta levemente.

Barcos, canhões e pinguins em it takes two
Sim, em It Takes Two você também está a bordo de um barco com canhões, no meio de pinguins.

A trilha sonora acaba sendo complementar ao visual de It Takes Two, sem momentos muito marcantes. O visual cartunesco tem sua resposta nas canções, pois em uma cena de perseguição, por exemplo, você ouve aquilo que está acostumado há anos – a “fórmula Tom & Jerry“, por assim dizer. Momentos épicos tem músicas clichês e o clímax de cada nível é entregue sem exageros.

Já os efeitos sonoros, por outro lado, conseguem incrementar a imersão nos diferentes cenários. A dinamicidade se estende para os distintos ambientes, com profundidade, reverberação e atenção aos mínimos detalhes. O feeling de apertar botões, deslizar pelo gelo ou pular sobre objetos de borracha se traduz em todos os sentidos (sonoro, visual e tato), tornando cada etapa da jornada um momento memorável.

It Takes Two na atual geração de consoles

Luz e sombra em it takes two
Luz e sombra são o forte de It Takes Two na nova geração!

It Takes Two tem dois pontos positivos quando o assunto é console: melhoria gráfica no Series X/S e o fato de ser cross-geração. Com comparações ao meu amigo de jogatina, que estava com o game no Xbox One, a melhoria se dá mais em iluminações e texturas (como em outros jogos das duas gerações).

O loading dos níveis também é absurdamente rápido, levando poucos segundos entre cutscenes e transições. Outro elogio válido é a respeito da pouquíssima queda de frames (taxa de fps), independente do que ocorra em cena. Como comentários a respeito do game no One, isso parece ser um problema do console que foi amenizado no atual.

Conclusão

Um exemplo de criatividade em termos de atmosfera e gameplay, It Takes Two conquista gamers que buscam boas risadas e um pouco de entretenimento compartilhado. Não importa quão casual ou hardcore seja seu estilo de jogo, o grau de dificuldade dos desafios é um obstáculo engajador que te faz ter interesse em descobrir o desfecho da saga de Cody e May.

Cody e may it takes two
REVIEW: It Takes Two, um jogo cooperativo que entretém do começo ao fim

As 13 horas de jogo são ótimas para quem pode separar um final de semana com um amigo, porém, os dois outros games de Josef Fares eram mais concentrados e podiam ser finalizados em uma única sessão de jogatina – o que obriga disposição local ou remota por um período mais longo. Mesmo assim, por conta da diversão, o game vale bastante a pena.

It Takes Two está disponível por R$199 para Xbox (Series X/S e One), PlayStation (4 e 5) e PC (via Origin ou Steam).

E aí, o que achou de It Takes Two? Com quem você mais gostaria de jogá-lo? Conte para nós nos comentários abaixo!

It Takes Two
  • Jogabilidade - 10/10
    10/10
  • Visual - 9/10
    9/10
  • Áudio - 9/10
    9/10
  • História - 7/10
    7/10
8.8/10

It Takes Two

O tédio passa longe da jogatina de It Takes Two, game que inova atmosfera e jogabilidade a cada cena. É cross-geração, tem uma história cômica e seu único “defeito” é ser longo demais – claro, se você pretender finalizá-lo em uma única sessão de jogo.

Pros

  • Jogabilidade inovadora (e familiar);
  • Cooperativo cross-geração;
  • Visual incrível;
  • Só uma pessoa precisa ter o game (para co-op online).

Cons

  • Não é cross-plataforma;
  • Duração longa impede de ser jogado em uma única sessão.
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