Logotipos da vivo e da starlink sobre satélite conectado a um smartphone acima do mapa do brasil

Vivo negocia parceria com Starlink para levar internet via satélite a celulares no Brasil

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Operadora recebeu autorização da Anatel para testar conexão direta entre satélites e celulares; acordo, preço e lançamento ainda não foram confirmados.

A Vivo negocia com a SpaceX um acordo para oferecer conexão direta entre satélites da Starlink e celulares no Brasil. A tecnologia, conhecida como conexão direta ao dispositivo (Direct-to-Device, ou D2D), pode ampliar o sinal móvel em estradas, áreas rurais e regiões onde a rede terrestre não chega.

As conversas ainda não representam um lançamento confirmado. Vivo e SpaceX não anunciaram contrato, data, preço ou lista de aparelhos compatíveis. O avanço concreto até agora é regulatório: a Telefônica Brasil, dona da Vivo, recebeu autorização temporária da Anatel para testar a solução em território nacional.

Torre de telefonia, satélites e celular ligados por sinais de comunicação
Vivo e Starlink negociam uma possível parceria para conexão direta via satélite

A negociação foi revelada pelo Tele.Síntese em 21 de julho. Segundo a apuração, a Vivo discute com a SpaceX o fornecimento de conectividade D2D em todo o Brasil. Procuradas pelo veículo, as duas empresas não comentaram as tratativas.

A autorização concedida pela Anatel permite que a Telefônica Brasil realize testes entre 19 de julho e 22 de outubro de 2026, com até 50 terminais móveis. O experimento usa duas porções da faixa de 2,5 GHz, cada uma com 5 MHz de largura, e ocorre em caráter secundário: o sistema não pode prejudicar serviços que já têm prioridade no espectro.

Um documento protocolado pela SpaceX na Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) reforçou a existência de uma operação D2D no país com uma operadora brasileira. A identidade da parceira foi ocultada a pedido da companhia, que alegou sensibilidade comercial. A coincidência com a autorização da Vivo é um indício relevante, mas não equivale a uma confirmação pública do acordo.

Como funciona a conexão direta via satélite

Diagrama da starlink mostra a conexão entre satélite, estação terrestre, rede da operadora e celular
Arquitetura do Direct to Cell usa a rede da operadora parceira para chegar a celulares compatíveis (Imagem: Reprodução/Starlink)

No D2D, satélites de baixa órbita funcionam como uma extensão da rede móvel. Em vez de exigir uma antena externa — como a usada na internet residencial da Starlink — o sinal chega a um celular compatível por meio de frequências licenciadas de uma operadora. A conexão é integrada à infraestrutura terrestre e ao núcleo de rede da parceira.

A proposta é complementar as antenas convencionais, não substituí-las. Redes 4G e 5G terrestres continuam oferecendo mais capacidade e menor latência em áreas atendidas. O satélite entra principalmente onde a cobertura some, permitindo começar por serviços de menor consumo, como mensagens e dados essenciais, e evoluir conforme a capacidade da constelação e o espectro disponível.

A Starlink já descreve o Direct to Cell como compatível com telefones LTE comuns, sem hardware ou aplicativo especial, desde que o aparelho e a rede da operadora estejam habilitados. No Brasil, porém, a Vivo ainda não informou quais modelos ou planos participariam de uma eventual oferta comercial.

Preço e disponibilidade

Pessoa olha para a tela de um iphone 17 pro max com indicador de sinal via satélite
Preço, disponibilidade e condições para usar a conexão via satélite ainda não foram anunciados

Não há data de lançamento nem preço confirmado. O prazo de outubro marca o fim da autorização atual de testes, e não o início automático de vendas. Depois do experimento, a Vivo deverá compartilhar resultados e eventuais ocorrências de interferência com a Anatel.

A agência já abriu um ambiente regulatório experimental (sandbox) para sistemas D2D e incluiu faixas de telefonia móvel no planejamento de frequências para esse tipo de uso. Ainda assim, requisitos técnicos permanentes estão em desenvolvimento. Uma oferta ao público dependerá do contrato entre as empresas, da avaliação dos testes, das regras da Anatel e da capacidade comercial da rede.

Também não está definido se a conectividade virá incluída em planos premium, como adicional mensal ou em pacotes específicos. Até um anúncio formal, qualquer valor ou cronograma deve ser tratado como especulação.

O que muda para clientes da Vivo

Pessoa usa celular em estrada rural distante de centros urbanos
Conexão direta ao celular pode reduzir áreas sem cobertura terrestre

Se a parceria avançar, o ganho mais visível será a possibilidade de manter algum nível de comunicação fora da cobertura terrestre. Isso pode beneficiar moradores de áreas remotas, motoristas em rodovias, atividades no campo, equipes de emergência e viajantes. O serviço também pode reduzir zonas sem sinal, embora não prometa a mesma experiência de um 5G urbano.

Para o consumidor, quatro pontos ainda precisam de resposta: quais celulares serão aceitos, quais regiões terão cobertura, quais serviços funcionarão via satélite e quanto custará o acesso. A Vivo também terá de explicar como o aparelho alternará entre rede terrestre e satelital, quais limites de dados existirão e como chamadas de emergência serão tratadas.

A movimentação coloca a Vivo na disputa por uma nova camada de cobertura móvel. TIM e Claro também avaliam soluções D2D com empresas de satélites, segundo fontes ouvidas pelo Tele.Síntese. A competição tende a acelerar testes, mas o cenário brasileiro continua em fase experimental.

Fontes: TecMundo; Tele.Síntese — negociação; Tele.Síntese — documento da SpaceX; Anatel; Starlink.

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