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Supergirl, nova produção da DC Studios e o segundo filme da saga Gods and Monsters do Universo DC (DCU), estreou mundialmente nos cinemas no dia 25 de junho e já chega com uma enorme expectativa a cumprir: não apenas dar um ar de frescor a um subgênero já saturado como o de super-heróis, como também ditar os rumos do recém-formado universo cinematográfico do estúdio.
E quem ditou estas expectativas foi ninguém menos que James Gunn, chefão da divisão de filmes da DC, que não apenas reconhece a fadiga existente dos filmes de herói, como também prometeu que as produções da empresa teriam uma diversidade de tons dentro do catálogo. Será que essa promessa foi cumprida com a aventura da Kara Zor-El? Confira a nossa crítica a seguir:
História e direção
Dirigido por Craig Gillespie e escrito por Ana Nogueira, Supergirl começa com Kara Zor-El (Milly Alcock) vivendo dias de ressaca em diversos planetas diferentes em comemoração aos seus 23 anos. A festança é interrompida quando seu cão, Krypto, é envenenado por Krem dos Montes Amarelos (Matthias Schoenaerts), fazendo com que a heroína parta em busca de vingança na companhia da jovem Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley), que busca vingar sua família, morta pelas mãos de Krem.
Apenas pela sinopse, dá para perceber um potencial dramático muito grande na história, e o roteiro de Ana Nogueira — que adapta a HQ Supergirl: Woman of Tomorrow, escrita por Tom King e ilustrado pela brasileira Bilquis Evely — até consegue entregar uma base sólida sobre a qual um diretor competente conseguiria trabalhar. Infelizmente, porém, faltou não apenas uma direção mais ousada, como também mais densa.
A direção de Craig Gillespie é tão protocolar que, até na tentativa de emular o tom de Guardiões da Galáxia, ele erra. Todo o subgênero space opera é desperdiçado pela falta de capacidade em demonstrar toda a grandiosidade do espaço que Kara vive, além das escolhas da trilhas que acompanham o longa, que quase sempre são mal inseridas dentro do contexto do longa. Por que não aproveitar a ambientação retrofuturista do filme para inseri-las de forma diegética? Não é algo que ocorre aqui.
Além disso, toda a boa premissa de Supergirl cai por terra logo nos primeiros 30 minutos de filme, acompanhados de muito outros tropeços antes disso. Todos os arcos e conflitos são apresentados rápidos demais, sem espaço para pausas, reações e cargas dramáticas mais convincentes. Um exemplo é a família da Ruthye aparecer na mesma velocidade que é morta por Krem, restando apenas um exercício mental do espectador para criar empatia com as dores da jovem órfã.
Já o passado de Kara em Argo City até funciona, muito graças ao talento dramático da Milly Alcock. É um dos poucos momentos que o filme se permite pausar e vivenciar as dores da sua protagonista, sem necessitar que elementos terceiros interrompam essas sequências do passado. Porém, por estarem tão fragmentadas durante o longa, sua execução acaba sendo prejudicada por não se manter em foco.
E é necessário que as motivações tanto de Kara e Ruthye sejam bem representadas pois a história traça um paralelo entre as dores das duas personagens e os dilemas morais que a vingança traz durante a jornada de ambas. Todo esse combustível da premissa perde gás pelo Craig Gillespie tratar o tema muito na superfície, sem exigir que as duas atrizes se confrontem sobre o tema muito além do que está no texto.
Talvez por exigência de executivos, a duração de 1 hora e 39 minutos certamente não ajuda a condensar toda a carga dramática que uma história sobre vingança exige. Fica a impressão de que há muita coisa cortada do texto original de Ana Nogueira, tão elogiado pelo próprio James Gunn antes mesmo do início da produção do longa, mas que pode ter sido sacrificada em detrimento de protocolos corporativos.
Principais destaques
A breve aparição da Kara Zor-El em Superman (2025) é um daqueles momentos do longa que, não só cimentam o futuro daquele universo, como também dão um gostinho aos fãs de como Milly Alcock lida com o manto da heroína.
E assim como ela rouba a cena no filme do Kal-El, a jovem Kara também brilha em seu próprio. Parece redundante dizer que o personagem principal de seu próprio filme brilha nele, mas diante de tantos experimentos falhos ao longo dessa década de filmes de heróis, tal conquista é de se celebrar.
Milly Alcock é perfeita no papel de Kara Zor-El e entende bem seu espírito rebelde, mas também fragilizado de uma personagem marcada por traumas e perdas. Pular do sarcasmo característico da personagem para um momento dramático em um instante demonstra uma excelente maturidade da atriz, que tenta, a todo momento, valorizar as diferentes facetas da heroína mesmo quando a direção não parece fazer o mesmo.
E se não fosse pelo carisma da atriz de House of the Dragon, certamente Eve Ridley teria seu papel muito prejudicado. A personagem Ruthye depende da presença da Supergirl para funcionar, é em suas trocas de interações que vemos Eve Ridley muito confortável atuando ao lado da Milly, fazendo-nos até esquecer que às vezes o desenvolvimento da amizade de ambas é muito prejudicado pela montagem apressada.

Mas quem, de fato, surpreende no filme é o Lobo, vivido por Jason Momoa. O ator havaiano está tão confortável no papel que até esquecemos daquele Aquamen (e qualquer outro papel seu) engessado. Mesmo não possuindo qualquer importância para o desenvolvimento temático do filme, só sua presença alivia toda a forma burocrática com que a história de Supergirl é conduzida.
Outro personagem que também dá novos ares ao longa são as participações especiais de David Corenswet. Vê-lo em cena sempre me faz lembrar do quão acertado foi a escalação para o Superman e toda sua positividade não só contrasta bem a rebeldia da Kara Zor-El, como também ajuda a finalizar seu arco temático de forma decente.
O grande porém do elenco fica a cargo do Matthias Schoenaerts, que tenta tirar leite de pedra do vilão Krem, mas que acaba caindo na zona caricata de sempre. É dito que, no quadrinho original, o personagem é impiedoso e violento, mas toda essa aura ameaçadora parece não existir no longa, que executa as ações do mercenário como se a obra estivesse sendo dirigida para ser uma série adolescente da CW.
Aspectos técnicos
Para esse tópico, vou precisar ir direto ao ponto: Supergirl traz todos os vícios técnicos que os filmes do gênero tem trazido na última década. Nós sabemos de todos os problemas oriundos de uma produção apressada e péssimas condições de trabalho para estes artistas, mas será necessário elencá-los aqui.
O longa é visualmente sem graça e pouco inspirador. A fotografia de Rob Hardy é, na maioria do tempo, funcional, beirando ao medíocre, com raros momentos onde é possível ver o profissional ousando em seus shots, mas que, mesmo assim, são diminuídos por efeitos visuais de tom plastificado e pessimamente renderizados.
A presença de tela verde para renderização do cenário é tão escancarada que, para maquiar a diferença entre o que é digital e real, o fotógrafo opta por estourar a profundidade de campo, gerando desfoques extremamente distrativos. Logo, na tentativa de salvar o que não está bom, a solução acaba gerando ainda mais problemas.
Para piorar, a montagem do longa é exageradamente apressada, como mencionado nos tópicos acima. Não sabemos se é por exigência de executivos que acreditam que muitos cortes dão dinamismo a um filme, ou se é apenas amadorismo, mas Supergirl não consegue estruturar a sua história de forma que valorize suas sequências filmadas e a química presente entre o elenco.
E se isso é evidente durante cenas de puro diálogo, fica muito mais escancarado quando a ação se faz presente. Craig Gillespie não sabe filmar os embates, e a edição também não consegue maquiar essa falta de experiência, resultado assim em lutas confusas e entediantes de assistir.
O cúmulo de tudo isso é o encerramento do filme usar o famoso deserto em CGI como campo de batalha no último confronto. É nesse ponto que todos os problemas técnicos culminam em uma das sequências mais visualmente feias de todo o longa e demonstra como mise-en-scène não é um problema isolado de Supergirl, mas de todo esse subgênero que prioriza mais números do que planejamento.
Conclusão
Mesmo com um elenco comprometido com o sucesso do seu próprio filme, Craig Gillespie e a DC Studios não parecem ter confiança no próprio material que pretendem adaptar. Uma boa premissa não se traduz como sucesso imediato, é preciso uma visão clara e criativa para trabalhar os melhores elementos presentes em seu roteiro.
E Supergirl falha exatamente aí. Trazendo uma direção segura demais e com medo de arriscar, a trama de Kara Zor-El não se diferencia em nada de qualquer outro filme do MCU dessa década, e desperdiça os arcos dramáticos daqueles personagens que parecem ter muito o que contar, mas que nunca veremos o seu verdadeiro potencial por ter medo demais de voar até o sol.
Onde assistir
Supergirl já está em exibição nos cinemas brasileiros, com vendas disponíveis pelo site ingresso.com.
Assista ao trailer
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Revisado por Luís Antônio Costa em 29/05/26
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