Dua lipa segura o livro jerusalem diante de fundo azul em retrato vertical.

Dua Lipa cria Biblioteca Manifesto com 100 obras censuradas ou proibidas

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Parceria entre Dua Lipa, Service95 e Livraria Lello cria no Porto uma biblioteca permanente dedicada a livros censurados, proibidos ou publicamente contestados.

Dua Lipa levou seu projeto literário para um novo patamar ao criar a Manifesto Library, uma biblioteca permanente com 100 obras censuradas, proibidas ou alvo de questionamentos públicos. A iniciativa nasce de uma parceria entre a Livraria Lello, no Porto, e o Service95 Book Club, transformando a nova sala em uma vitrine para livros que desafiam estruturas de poder, exclusão, controle e apagamento.

Propósito da Biblioteca Manifesto criada por Dua Lipa

A Manifesto Library será uma uma coleção permanente dedicada a títulos que enfrentaram censura, proibição, questionamentos públicos ou tentativas de apagamento. O projeto é tratado como a primeira expressão física permanente do universo construído por Dua Lipa em torno do Service95 Book Club, clube de leitura com o qual a artista já colocou autores contemporâneos e clássicos novamente no centro da conversa cultural.

Dua lipa sentada diante de uma estante segurando um livro, em imagem usada para ilustrar sua relação pública com a leitura.
Dua Lipa posa com um livro diante de uma estante, reforçando a ligação entre sua imagem pública e o universo literário do Service95 Book Club.

Segundo a própria cantora, a proposta é criar um “santuário” para livros que sobreviveram a tentativas de silenciamento. Em vez de tratar censura como um tema abstrato, a iniciativa transforma o debate em espaço físico: livros passam a ser exibidos como objetos de memória, resistência e circulação pública.

As 100 obras censuradas ou proibidas giram em torno de poder, controle, voz e memória

A curadoria foi organizada em quatro eixos declarados pela Livraria Lello: Poder, Controle, Voz e Memória. Na prática, isso significa que a Biblioteca Manifesto não reúne apenas livros formalmente proibidos, mas também obras que foram restringidas, contestadas ou empurradas para a invisibilidade por discutirem raça, gênero, sexualidade, identidade, violência política, trauma coletivo e liberdade intelectual.

A divisão temática ajuda a enquadrar o projeto menos como uma lista fechada de “livros banidos” e mais como uma intervenção curatorial sobre quem pode contar histórias, quais memórias sobrevivem e como mecanismos de censura continuam ativos no presente.

A coleção reúne 100 títulos e distribui suas escolhas entre obras ligadas a censura, memória, identidade, poder político e liberdade intelectual. A seleção abaixo reúne os livros já associados publicamente à biblioteca e ajuda a dimensionar o recorte literário apresentado pela iniciativa:

  • The God of Small Things, de Arundhati Roy
  • Girl, Woman, Other (rapariga, mulher, outra), de Bernardine Evaristo
  • Olhos d’água, de Conceição Evaristo
  • My Pen Is the Wing of a Bird, antologia de escritoras afegãs
  • My Friends, de Hisham Matar
  • To Kill a Mockingbird (Matar um rouxinol), de Harper Lee
  • The Adventures of Huckleberry Finn, de Mark Twain
  • Born a Crime (Sou um crime), de Trevor Noah
  • The Color Purple (A cor púrpura), de Alice Walker
  • Nineteen Minutes (Dezanove minutos), de Jodi Picoult
  • A Thousand Splendid Suns (Mil sóis resplandecentes), de Khaled Hosseini
  • The Kite Runner (Cometas no céu / Cometas en el cielo), de Khaled Hosseini
  • Decolonising the Mind (Descolonizar la mente), de Ngũgĩ wa Thiong’o
  • Stamped from the Beginning (Marcados al nacer), de Ibram X. Kendi
  • The Catcher in the Rye, de J. D. Salinger
  • The Hate U Give, de Angie Thomas
  • Milk and Honey (leite e mel), de Rupi Kaur
  • The Vegetarian (A vegetariana), de Han Kang
  • The Satanic Verses (Los versos satánicos), de Salman Rushdie
  • Cien años de soledad, de Gabriel García Márquez
  • Cleptopia, de Tom Burgis
  • A Case of Exploding Mangoes, de Mohammed Hanif
  • The Banned Books of Lula Dean (A biblioteca de livros banidos de Lula Dean), de Kirsten Miller
  • Animal Farm, de George Orwell
  • The Sympathizer (O simpatizante), de Viet Thanh Nguyen
  • Fahrenheit 451, de Ray Bradbury
  • The Handmaid’s Tale (O conto da aia / História de uma serva), de Margaret Atwood
  • Brave New World (Admirável mundo novo), de Aldous Huxley
  • The Unbearable Lightness of Being (A insustentável leveza do ser), de Milan Kundera
  • Go Set a Watchman (Mataram a cotovia / Mataram a corovia), de Harper Lee
  • Soldados de Salamina, de Javier Cercas
  • Maus, de Art Spiegelman
  • Persepolis, de Marjane Satrapi
  • We Are Not Numbers, antologia sobre a Palestina
  • Felon, de Reginald Dwayne Betts
  • Obras de Olga Tokarczuk citadas na divulgação internacional do projeto

Entre os títulos associados à biblioteca também aparecem Felon, de Reginald Dwayne Betts, e obras de Olga Tokarczuk, reforçando o alcance contemporâneo e internacional da curadoria.

Dua lipa segura dois livros de margaret atwood diante de fundo verde em retrato vertical.
Dua Lipa aparece com duas edições de Margaret Atwood em outra imagem usada para ilustrar o universo de leituras associado ao Service95 Book Club.

Por que falar em censura agora

O argumento central da Manifesto Library é que a censura não pertence apenas ao passado. Na página oficial do projeto, a Livraria Lello afirma que, em 2023, um recorde de 4.240 livros foi alvo de censura em distritos escolares e bibliotecas públicas dos Estados Unidos. O texto também aponta que, em 2024, escritores foram presos ou detidos em mais de 40 países por causa do que escreveram, publicaram ou disseram.

Esse contexto ajuda a explicar por que a parceria entre Dua Lipa, Service95 e Livraria Lello vai além de um gesto promocional. A biblioteca se apresenta como defesa explícita da literatura como espaço de complexidade, pensamento crítico e liberdade de expressão, recolocando livros contestados no centro do circuito cultural.

Onde fica a Biblioteca Manifesto

A Manifesto Library foi inaugurada como parte do BABELL – City of Books e passa a funcionar permanentemente dentro da Livraria Lello, no endereço Rua das Carmelitas, 144, 4050-161 Porto, Portugal. As visitas são centralizadas pela própria rede de ingressos da livraria, em página específica para a experiência.

Fachada da livraria lello, no porto, onde está instalada a manifesto library.
A Manifesto Library funciona dentro da Livraria Lello, no Porto, em Portugal, e integra a programação cultural associada ao BABELL.

Mais do que abrir uma nova sala com livros, Dua Lipa associa sua imagem a um debate que cresce em vários países: o da circulação de obras que desafiam padrões morais, políticos ou culturais. Ao reunir títulos censurados, proibidos ou restringidos em uma biblioteca permanente, o projeto transforma leitura em posicionamento cultural — e dá à literatura um papel central em discussões contemporâneas sobre liberdade intelectual.

A página oficial da Manifesto Library na Livraria Lello concentra as informações de visita e funcionamento da experiência.

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Fontes: Livraria Lello (Manifesto Library), BABELL – City of Books e NME.


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